Concerto digital da Gru Sinfônica dá início à Temporada 2021 das Orquestras de Guarulhos

Fotos: Divulgação/PMG

No próximo sábado (27), a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos apresenta a estreia da Série Fronteiras com o concerto digital Jazz em Concerto

O concerto digital apresentado no último sábado (20) pela Orquestra Gru Sinfônica marcou a abertura da Temporada 2021 das orquestras de Guarulhos.

O espetáculo, transmitido ao vivo do Teatro Adamastor, deu início a uma temporada grandiosa, na qual os instrumentistas da Gru Sinfônica e da Orquestra Jovem se dedicam a quatro séries de concertos para ressaltar a magia do universo da música sinfônica.

Grandes obras do século XX

O programa, à altura do evento, colocou em evidência peças da música contemporânea, as obras Sinfonia em Três Movimentos e Scherzo a la Russe, do compositor russo Ígor Stravinsky, peças compostas logo após o término da Segunda Guerra e que estão embebidas pelas tensões desse conflito bélico.

Graciosa e cheia de vida, Scherzo a la Russe deixou evidente que tanto a regência como a interpretação dos instrumentistas foram objeto de grande estudo e dedicação. Para o regente Kevin Camargo, trabalhar com a Gru Sinfônica é sempre uma honra, principalmente diante da oportunidade única de interpretar uma obra de um dos mais importantes compositores do século XX.

“Quando recebi a sugestão de realizar essa peça aceitei o desafio de entender e construir uma interpretação. Para mim, as obras devem sempre ser vistas por seu lado histórico, quando foram escritas, para quem, por quê, ao mesmo tempo em que, do equilíbrio de tudo o que sinto ao estudar e ao ouvir, nasce minha interpretação. Depois, é outro desafio, passar toda essa construção da minha mente, através da minha regência, para que comunique para os instrumentistas o que eu interpreto, e então eles poderem interpretar com a experiência de cada um. Ver esse momento surgir, essa conexão entre todos que estão tocando e os que estão ouvindo, é o que me traz maior alegria”, disse o jovem regente.

Surpreendente, Sinfonia em Três Movimentos é uma obra fundamental da carreira de Stravinsky. A peça explora intensamente a pulsação rítmica irregular, quase hipnótica, que se altera o tempo todo, marca registrada do compositor. A sinfonia foi construída em torno do uso marcante da harpa e do piano, que ganham força no último movimento com a união de ambos.

Para Leandro Isaac, pianista convidado para executar a obra, esse foi um dos arranjos de piano mais desafiantes que já tocou.

“Grande orquestrador, Stravinsky é um compositor que sabia muito bem exaltar e escrever para cada um dos instrumentos que compõem a orquestra, e com o piano não é diferente. A tradição do piano nas orquestras, sobretudo em obras de outros períodos, era de suporte às harmonias. Em Sinfonia em Três Movimentos, Stravinsky trabalha com o piano de modo a ressaltar sua beleza por meio de uma escrita bastante refinada, que realmente permite que as pessoas ouçam o instrumento a partir de seu protagonismo”, explicou Isaac enfatizando a complexidade que envolveu os demais naipes e exigiu grande entrosamento dos instrumentistas durante os ensaios.

Copland e o Concerto para Clarinete

Com maestria e delicadeza, o clarinetista Ovanir Buosi apresentou Concerto para Clarinete, obra composta em homenagem ao clarinetista americano Benny Goodman, o que faz com que a peça apresente elementos e influência do jazz, cujas alusões ao gênero servem de estímulo criativo para uma obra belíssima, concisa e, ao mesmo tempo, densa.

Buosi explica que Goodman foi um verdadeiro astro de cinema que, por coincidência, tocava clarinete, o que permitiu que ele pudesse difundir o instrumento para muitas pessoas. “Ele era um gentleman, participou de filmes e programas de TV e, além de ser um músico com técnica incrível, com destaque no jazz norte-americano, tinha charme e carisma, o que o ajudou a ser muito mais que um clarinetista bem sucedido”.

Sobre Concerto para Clarinete, Buosi conta ainda que Goodman encomendou a obra para Copland, o que resultou em um trabalho moldado com a linguagem do jazz americano e a sonoridade que Goodman estava habitado a fazer. “A obra também faz claras referências a sonoridades que Copland ouviu na ocasião de uma viagem que fez ao Rio de Janeiro, um tema de frevo que ele usou em um trecho do concerto”, explicou o solista.

No Brasil o clarinete sempre foi muito forte no choro, com tradição nas bandas militares, segundo Buosi, um celeiro de bons músicos, como se dizia antigamente.

“O próprio Severino Araújo, que era um grande compositor e clarinetista, também tinha uma orquestra que tocava em programas de televisão, isso na primeira metade do século XX. Hoje em dia o cenário do choro ainda é muito forte, com grandes clarinetistas como o carioca Paulo Sérgio Santos, o paulistano Alexandre Ribeiro e Nailor Proveta (saxofonista e clarinetista líder da Banda Mantiqueira), além de tantos outros jovens brasileiros que estão entrando na música popular e na música instrumental com base no improviso, ampliando horizontes e expondo toda a versatilidade e características do instrumento”, enfatizou Buosi.

No próximo sábado (27), às 20h, a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos apresenta a estreia da Série Fronteiras com o concerto digital Jazz em Concerto. Entre os convidados desse espetáculo, estão a cantora Manuela Freua e o pianista Adolfo Mendonça.

Para mais informações e detalhes da Temporada 2021 das Orquestras de Guarulhos acesse https://bit.ly/3oRBVvb.