Bharat Biotech, fabricante da Covaxin, rompe contrato com a Precisa Medicamentos

Foto: Reprodução / Agência O Globo

A Bharat negou a veracidade de documentos apresentados pela Precisa e informou o encerramento do acordo nesta sexta-feira (23); fabricante segue em contato com a Anvisa para aprovação do uso no Brasil

A Bharat Biotech, fabricante da vacina indiana contra Covid-19 Covaxin, comunicou nesta sexta-feira (23) que cancelou o acordo assinado com a Precisa Medicamentos para comercialização do imunizante no país.

A fabricante afirmou que, apesar de romper o contrato com a Precisa, continuará trabalhando com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação do uso da vacina no Brasil.

Além disso, a Bharat negou a veracidade de dois documentos apresentados pela Precisa durante negociações com o Ministério da Saúde. Um deles reconhecia a Precisa Medicamentos como representante legal e exclusiva da fabricante no Brasil. O outro versava sobre a “inexistência de fatos impeditivos para sua habilitação relativo à contratação junto ao Ministério da Saúde”.

“Fomos informados recentemente que certos documentos, supostamente emitidos por executivos da empresa, estão sendo divulgados online. Gostaríamos de afirmar enfaticamente que esses documentos não foram emitidos pela Companhia ou seus executivos e, portanto, negam veementemente os mesmos”, afirma a nota.

Irregularidades

O contrato da Covaxin entrou na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado Federal, após depoimento dos irmãos Miranda. Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, e o deputado Luis Miranda (DEM) denunciaram irregularidades no processo de aquisição.

Os Miranda disseram ter procurado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em março para alertar sobre suspeitas de corrupção na compra de 20 milhões de doses. De acordo com eles, o presidente não teria tomado nenhuma providência e ainda citou o nome do deputado Ricardo Barros (PP-PR) como mentor das irregularidades.

Depois da revelação, o Governo Federal suspendeu o contrato de intenção de compra da vacina indiana. Além disso, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar se Bolsonaro cometeu crime de prevaricação.