Qual é o peso do conflito EUA x Irã para o Brasil?

Pleno.News - 03/01/2020 09h16 Iranianos reagem à morte de general Foto: EFE/EPA/Abedin Taherkenareh

O mundo tem acompanhado nos últimos dias os desdobramentos da ofensiva dos
Estados Unidos contra o Irã que matou uma das figuras mais expressivas daquele
país, o General Qassem Soleimani. Autoridades americanas consideram o ataque
uma “declaração de guerra” em contrapartida o Presidente americano Donald Trump
reitera que o ataque ocorreu para segundo ele “parar uma guerra” e não iniciar uma
nova guerra.

Em meio a rumores, as redes sociais chegaram a supor uma “Terceira Guerra
Mundial” o que já está descartado pelos especialistas em política externa e relações
internacionais. Entretanto, muitos questionamentos são feitos diante desse cenário,
nesta reportagem traçamos dois pontos fundamentais: o peso do conflito e as
consequências para o Brasil.

O Professor de Direito Internacional da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU)
Manuel Furriela descreve o General Qassem Soleimani como o herói nacional
iraniano “Ele ocupava a posição mais importante do país depois do líder supremo
Aiatolá Ali Khamenei que é considerado a autoridade máxima do Irã. Como membro
da Força Quds , elite da ala militar foi responsável por proteger os valores da
teocracia e da revolução islâmica além de ter sido um articulador no campo das
negociações iranianas” disse o especialista.

O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ameaçou “vingar” a morte de
Soleimani e decretou três dias de luto nacional. “Não há dúvida de que a grande
nação do Irã e as outras nações livres da região se vingarão da América criminosa
por esse assassinato horrível”, prometeu o presidente Hassan Rohani. O ministro
das Relações Exteriores Mohammad Javad Zarif falou de um “ato de terrorismo
internacional dos Estados Unidos”.

No sábado, 04 uma multidão recebeu o corpo do general em Bagdá, que deverá ser
sepultado na terça feira 07. O clima de tensão contra os Estados Unidos tomou
conta da cerimônia que teve bandeiras do país queimadas e gritos de “Morte à
América”. Trump disse em sua conta no twitter que há 52 alvos no Irã caso a
resposta iraniana venha por meio de ataque a americanos. O parlamento do Iraque
votou neste domingo, 05 a favor da retirada das tropas americanas do país. Há
cerca de 44 mil soldados só no oriente médio. Isso ocorreu porque o líder das
Forças de Mobilização Popular iraquianas, Abu Mahdi al-Mohandis também morreu
no ataque da última sexta, 03.

No Brasil

Em resposta ao ataque americano que matou o General Soleimani na última sexta
feira, 03, o Itamaraty emitiu nota na sexta, 03 declarando que “o governo brasileiro
manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”… O Brasil acompanha
com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os
preços do petróleo”. A nota afirma ainda que “O país condena igualmente os
ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá”.

O Presidente Jair Bolsonaro declarou que “é muito difícil falar que possa haver um
conflito maior entre esses países”. De acordo com Bolsonaro, “ninguém ganharia
com isso, seria uma relação de perde-perde”. E disse ainda que uma retaliação
iraniana seria uma “operação suicida”, mas salientou que “quem quer paz precisa se
preparar para a guerra”.

A política externa brasileira pode ser fragilizada diante do alinhamento ideológico do
presidente Jair Bolsonaro em relação a Donald Trump e por outro lado está o
mercado iraniano como novo grande consumidor das exportações nacionais, os
valores giram em torno dos US$ 2 bilhões por ano em commodities como milho,
carne e soja.

O consultor do mercado financeiro da CRK S.A. Alberto Furtado, salienta que os
EUA é o principal responsável pela balança comercial brasileira, mas, defende que
o Brasil deve se isentar de tomar posição diante do conflito visando não prejudicar
laços comerciais com os países árabes. Furtado aponta ainda as consequências
para Brasil: “Nosso país não tem peso de decisões no Conselho de Segurança da
ONU, nem para interferir nem para influenciar, a preocupação principal deve estar
na economia interna, com a taxa de juros, prevendo fuga de capitais para países
com maior liquidez”.

De acordo com os especialistas os impactos desse conflito podem ressoar em áreas
estratégicas da economia com a alta no preço do combustível direto nas bombas
elevando o valor dos fretes para transporte de carga e de passageiros. Preços mais
altos nas passagens aéreas e do transporte público não são descartados como
também nos produtos derivados do petróleo e das oscilações constantes nas bolsa
de valores.