Conselho Regional de Medicina denuncia Hospital de Campanha ao MP por irregularidades

Foto: Fábio Nunes Teixeira/PMG

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu sindicância para apurar possíveis irregularidades no Centro de Combate ao Coronavírus de Guarulhos.

Após fiscalização realizada no dia 4 de junho, o Cremesp comunicou a Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos sobre o cenário que encontrou, além de pedir ao Ministério Público Estadual para que apure possíveis infrações éticas dos médicos responsáveis pelo Hospital de Campanha.

O relatório emitido pelo conselho apontou uma série de irregularidades que coloca em risco pacientes, médicos e profissionais da saúde que atuam no local.

Confira as irregularidades apontadas pelo relatório:

Alto risco de contaminação

– Enfermaria com pacientes confirmados e suspeitos para covid-19 no mesmo ambiente – Leitos com menos de 1 (um) metro de distância entre eles;

– Fluxo livre por todo o hospital e sem identificação de profissionais de diferentes áreas;

– Não foi identificado protocolo para limpeza de filtros de ar condicionado, nem a existência de filtros recomendados para a recirculação do ar, nem de sistema de exaustão para a dissipação dos aerossóis;

– Não foi identificado protocolo de higienização dos consultórios;

– Profissionais levam máscaras para casa. Desrespeito a protocolos e normas técnicas ;

– Separação incorreta dos pacientes internados na enfermaria;

– Muitos pacientes internados sem resultados de teste para covid-19;

– Não foram identificadas orientações sobre higienização do tomógrafo entre um uso e outro;

– Consultórios médicos sem pia e equipamentos básicos previstos na legislação com ar condicionado sem filtro e com recirculação do ar;

– Os 10 leitos de UTI estão fora dos padrões exigidos pela legislação, com estrutura inadequada, oferecendo risco aos pacientes graves e instáveis e desrespeitando a legislação vigente.

EPI e demais equipamentos

– Funcionários que operam o tomógrafo não estavam com os EPI adequados;

– Não são fornecidas máscaras cirúrgicas para pacientes que entram na unidade, contrariando normas da ANVISA e do próprio hospital;

– Havia profissionais com avental de gramatura inferior a 30;

– Não há um local de controle e entrega de EPI;

– Não foram identificadas normas para uso e frequência de troca de EPI;

– UTI não tem normas bem definidas para troca de EPI após manipulação dos pacientes.

Vestiários e conforto médico

– Não foi identificado local para conforto médico;

– A sala indicada pela diretoria do hospital como sendo de descanso médico, não contava com banheiro, chuveiro, colchões e roupa de cama, além de estar em área contaminada;

– Não foram identificados locais para paramentação e desparamentação adequada e segura dos profissionais de saúde.

A Prefeitura de Guarulhos negou que haja qualquer tipo de irregularidade, por meio de nota oficial, e informou que “as inconformidades indicadas pelo médico fiscal não condizem com a realidade”.

O Centro de Combate ao Coronavírus é administrado pela Organização Social Instituto Medizin, em parceria com a Administração Pública Municipal.

Segundo o último Boletim Epidemiológico, divulgado nesta quarta-feira (08), o Hospital de Campanha está no momento com 74 pacientes internados, sendo 21 nas UTIs, 43 nas enfermarias e dez em observação.