Rede Estadual de Ensino terá um recesso por bimestre a partir deste ano

E.E João Luiz de Godoy Moreira (Foto: Facebook)

Começa oficialmente nesta segunda-feira (03) o ano letivo das escolas públicas de São Paulo, e a rede estadual de ensino terá a partir de 2020 um novo calendário escolar. Conforme anunciado pelo Palácio dos Bandeirantes no início do ano, haverá mais dois novos recessos durante o ano letivo, totalizando assim, quatro pausas, uma no fim de cada bimestre.

Confira:

– Primeiro Bimestre: 03/02 a 17/04 – Primeiro Recesso: 20/04 a 24/04
– Segundo Bimestre: 27/04 a 09/07 – Segundo Recesso: 10/07 a 24/07
– Terceiro Bimestre: 27/07 a 09/10 – Terceiro Recesso: 12/10 a 16/10
– Quarto Bimestre: 19/10 a 18/12 – Férias a partir de 22/12

Apesar das mudanças no recesso, as férias dos professores continuam como nos anos anteriores, incluindo 15 dias em janeiro e 15 dias em julho. A nova proposta foi baseada em evidências educacionais de que a concentração de férias em longos períodos tem impacto negativo na aprendizagem, em especial para alunos de menor renda.

O Sindicato dos Professores publicou uma nota posicionando-se contrário às mudanças “Não é fragmentando as férias escolares dessa forma, com todas as suas implicações para os estudantes, para suas famílias e para os profissionais da educação que essa questão será bem encaminhada”.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação durante os dois recessos menores, as escolas poderão apresentar atividades diferenciadas opcionais nas escolas que mais precisam e que apresentarem projetos para favorecer a aprendizagem como reforço escolar e estudo intensivo que auxiliem nas provas e com o planejamento escolar que cumpra os 200 dias letivos.

O secretário Rossieli Soares declarou que a mudança será positiva para que os estudantes e professores tenham períodos de descanso ao longo de cada um dos semestres. Caetano Siqueira, coordenador área pedagógica da Secretaria da Educação do Estado afirmou que as mudanças têm o objetivo de fortalecer as habilidades essenciais a serem trabalhadas durante essas semanas, direcionando as ações dos professores, de acordo com as necessidades dos estudantes.

De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) essa mudança já estava sendo cogitada desde 2011 por parte do governo do Estado, mas, a categoria barrou o novo modelo até ano passado. A medida foi anunciada pelo Governador João Dória em 2019 sem que houvesse nenhuma demonstração de melhoria para qualidade do ensino.

A questão a que a APEOESP se refere é a proposta do governo que de acordo com a entidade, prejudica o andamento natural do ano letivo, criando interrupções que não são proveitosas, mas, interferem na retomada do ritmo desejável do processo ensino-aprendizagem nas escolas. Por outro lado, os feriados existentes, muitos deles com “emendas”, já permitem um desejável arejamento no ritmo de aulas.

A professora Marcelle Marques de Andrade que leciona na E.E João Luiz de Godoy Moreira disse ao Guarulhos Online que soube da mudança pela mídia, considera ruim o governo não consultar a comunidade escolar para tal mudança. “Falta diálogo com estudantes, pais e professores e todos os que estão dentro da escola cotidianamente.”

Tânia Santos, atendente de call center mãe de uma aluna de 13 anos da rede estadual de ensino considera que os 200 dias letivos não são cumpridos totalmente. Ela diz ser uma falha querer implementar esse novo calendário, pois o tempo de aula é curto e nem todos os alunos conseguem render o suficiente. “Duvido que os períodos de recesso serão de reforço escolar, a recuperação hoje em dia é muito ineficiente, o rendimento é baixo, os livros e apostilas nunca são finalizados porque falta tempo na escola. Eu gostaria de ver propostas que despertem o interesse deles em estar na escola, desenvolvendo atividades proveitosas para o futuro deles”.