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ter, 18 jan 2022
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A romantização da Super Mãe

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Época de festas, reencontro com familiares que não veem a algum tempo, e muitas mães exaustas, tendo que responder a diversos afazeres e cuidados com os seus filhos, além de tentar cuidar de si, mais para os olhos dos outros do que os seus próprios.

Essas ocasiões podem ser usadas como exemplo para que possamos identificar o quanto de pressão ainda existe sobre a mãe e seu maternar, essa mulher por vezes escuta de algumas pessoas comentários do tipo: “Nossa, você é muito guerreira!

Quando eu for mãe quero ser assim!”, “Só mãe mesmo para conseguir fazer tudo!”, “O bebê só fica quieto com você!” “Pra ser mãe tem que se forte e guerreira”, entre tantos outros comentários que vão alimentando uma imagem irreal de uma Super Mãe, elogios carregados de expectativas e “padrões” a serem atendidos, limitando o espaço da legitimação do esgotamento e outras dores emocionais dessa mulher/mãe.

Essa mulher responde a pressões externas de todos os lados, alguns mais camuflados, mas ainda sim com impactos nocivos a ela. Precisa acertar, precisa ter tido o melhor parto, precisa fazer que o filho dê certo, estar sempre bem vestido, e se ele comer legumes parabéns, mas se não comer, que mãe é essa?

Se esta doente a mãe não está o alimentando bem o suficiente, se come demais, a mãe que não sabe impor limites, além de claro, ela manter o sorriso e satisfação estampados no rosto, entre outras cobranças.

A mãe não pode dizer em hipótese nenhuma que se arrepende de ter engravidado, que gostaria de voltar a vida antes de ser mãe ou que seu filho está chato ou que ela não aguenta mais, por que será julgada socialmente, afinal “Você desejou tanto esse filho, por que está reclamando?  Ou “Na hora de fazer estava bom né? Por que não colocou camisinha?”. Em sua maioria esses comentários são ditos por pessoas que não são mães ou por pessoas reprimidas emocionalmente.

O resultado disso, se dá por uma imagem de mãe ludicamente alimentada na mente da sociedade como a mulher maravilha, forte, com super escudo protetor, não erra, sempre disposta e disponível, com cabelos longos, soltos e hidratados, sendo que, nossa realidade emocional é uma mulher cansada, estressada, com sentimentos de solidão e sem espaço para reclamar ou sentir. A imposição em acertar, contribui para que se perder de si, se torne uma realidade mais próxima.

Algumas mulheres não apresentam o desejo de ter um filho ou ser mãe, são mal vistas, ditas como egoístas, e não recebem acolhimento, mas um número expressivo de mulheres tem filhos por pressão social, atendendo a uma expectativa externa.

Se uma mulher não quer engravidar e engravida, ela não terá prazer na maternidade, e alguns problemas associados a isso, é a rejeição pela criança, a falta de cuidados ao bebê impactando em seu desenvolvimento infantil, além de aumentar as chances dessa mulher apresentar transtornos de saúde mental, como por exemplo, a depressão.

Percebam que mulheres criadas por mulheres que tentam cumprir padrões e se frustram, alimentam a baixa autoestima nessa criança, e assim por diante, criando outras mulheres e homens, perpetuando a baixa autoestima em sua descendência, limitando seu real potencial de existência.

Importante respeitarmos a história e a vida de cada uma. Distribua o afeto sempre que possível, e não apenas sazonalmente. O afeto aproxima o sentir do outro ao nosso, a compreensão e empatia necessária para evoluirmos como sociedade.

E você mulher/mãe, valide seus sentimentos, se doe a você nesse período festivo e inicie um novo ano mais integrada a si e seus sentimentos reais.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca de constante aprimorame nto em Saúde Mental

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