Aos antivacina; uma vacina para todos salvar

Foto: Vincent Kalut/Getty Images

Em tempos de pandemia muita coisa mudou, vimos muita desinformação, medicamentos candidatos a heróis, e sobramos com um ministro da Saúde que se formou militarmente para guerra e não para a cura.

Viramos alvo do mundo inteiro, pois um mundo em pandemia que busca uma vacina precisa primeiro testá-la. Aos olhos do mundo nosso país não tomou oficialmente nenhuma medida de controle sobre a disseminação de SARS-CoV-2, o vírus causador da doença conhecida como Covid-19.

Justamente pelos números constantes de casos, o Brasil se tornou o cenário perfeito para se desenvolver os estudos finais que uma vacina necessita para sua implementação em massa.

Esses estudos cientificamente são conhecidos como ‘Fase 3’, onde se testa (já sabendo da relativa segurança de uma vacina) se ela será efetiva. Acredito que qualquer pessoa sensata saiba do valor das vacinas administradas no cenário mundial.

Mas para aqueles que ainda duvidam disso, a Covid-19 deixou claro, você não poderá usar nenhum espaço público, nem terá seu comercio funcionando a 100% até que uma vacina seja aplicada em um número grande de pessoas até atingir a famosa ‘imunização de rebanho’.

Mitos e desencontros sobre vacinas

Se antes tínhamos que combater movimentos de estrema ignorância como os antivacinas, atualmente temos que explicar erros sobre elas e quais vacinas virão num futuro próximo. Talvez você, caro leitor, já tenha ouvido o termo citado acima ‘imunização de rebanho’, cabe aqui uma breve explicação.

O termo é utilizado pelos programas de saúde para demarcar qual porcentagem de uma população deve ser imunizada, ou seja, tem que receber uma vacina, para que uma doença pare de se alastrar.

Esse termo só se refere a cobertura de uma vacina, o indivíduo que se expõem livremente a uma infecção para supostamente se tornar resistente após a infecção, não contribui para a imunização de rebanho.

O motivo é simples, entre o tempo de ter se contaminado e o seu sistema imunológico resolver a infecção, você possivelmente já infectou outras pessoas.

Exatamente por esse motivo, não se gera a imunização de rebanho que impeça a transmissão de uma doença, somente com indivíduos previamente imunizados é possível bloquear a transmissão sem se fazer necessário cuidados que atualmente estamos acostumados pelo distanciamento social.

Vai valer a pena?

De qualquer maneira, sim. Muito se questiona se uma vacina seria eficiente, dado que atualmente se sabe que pessoas podem ter reinfecções de COVID-19. Definitivamente isso não importa, muitas vacinas não servem pra impedir a infecção e sim para diminuir a gravidade dela.

A vacina da poliomielite, por exemplo, não consegue proteger 100% que a infecção ocorra, porém consegue impedir que se tenha efeitos horríveis a partir da infecção conhecida como paralisia infantil, quadro que mutilou muitas crianças no passado antes da vacina.

A reinfeção por Covid-19 até pode acontecer, mas nos quadros onde isso ocorreu a segunda infecção foi completamente sem sintomas. Logo se espera que uma pessoa vacinada não apresente nenhum problema mesmo que venha a se infectar.

Isso por si só já garante um valor às vacinas que surgirem. Desse modo após vacinados não precisaremos ter medo de infectar nossos parentes em quadro de risco (idosos, hipertensos etc.) e poderemos finalmente voltar a uma suposta normalidade.

Suposta, porque nesses tempos aprendemos muito sobre os cuidados com a saúde e quanto isso pode afetar o mundo em que vivemos, seria leviano afirmar que tudo voltará a ser como antes, mas uma coisa é fato, nunca na história recente, uma vacina foi tão aguarda e valorizada.

*Wesley Luzetti Fotoran é pesquisador graduado em Ciências Fundamentais para Saúde pela Universidade de São Paulo. Cursou parte de seu doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Pós-Doutorando, atualmente pesquisa vacinas de RNA auto-replicativas associadas a lipossomos catiônicos e/ou direcionáveis em modelos experimentais de malária, tumores e terapias gênicas.