Como devolver a vida ao Pantanal após as grandes queimadas de 2020?


Alguém já se perguntou qual é proposito da vida? Por que certos sonhos estão em seu coração? E o que você faz com os dons que lhe foram dados? Bom, consegui responder esses questionamentos nessa jornada pelo Pantanal.

Para quem não sabe eu me formei na Universidade Estadual de Santa Catarina e ajudei de forma efetiva no CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), e lá criei vários animais, cuidei, fiz cursos e fui me aperfeiçoando, desde pequenos roedores, aves, até grandes mamíferos. Mas não ficou aí, fiz parte de outros projetos como o Projeto Bugio em Blumenau com animais de vida livre e de cativeiro, tive experiências em zoológico.

Mas Juliana, o que tem a ver com sua ida para o Pantanal?

Tem muito! Ao chegar como veterinária do Instituto de bem-estar animal, no Pantanal, tive um respaldo impar do pessoal dos Bombeiros. Os Bombeiros nesse cenário são os cabeças, são a autoridade maior. Logo de início nos preparam ensinando a usar aplicativos com mapa , com geolocalização, para localizar animais feridos , animais mortos, locais aonde estão queimando ainda. Todos eles você marca em tempo real no mapa sem precisar de internet.

Lá foram feitos alguns voos de helicóptero para ter a visão de cima quais eram as regiões aonde tínhamos que ir, porque pelo rio, por ser beira de rio a destruição não estava tão severa quando fora do alcance do mesmo. E por carro, alguns acessos também se tornam bem difíceis. Então esse apoio de treinamento para localização ajudou muito.

Mas hoje acho que isso está sendo usado um pouco tardio, acho que como as queimadas ocorrem todos os anos, esse material e essas “armas” devem ser usadas de forma preventiva para os anos seguintes.

O uso de câmeras para monitorar os animais foi uma forma muito bacana de monitorar os animais que não precisavam de nossa intervenção.

Lembrando que ao tirar um animal do seu habitat, você cria uma responsabilidade imensa, porque muitos não conseguem ser reintroduzimos na natureza, então quando menos fizemos essa intervenção melhor para eles.

Em situação de desastre muitos acham que vão lá para fazer medicina, mas não. A maioria das vezes vamos lá levar comida, água e carinho. 

Todas as vezes que entrevamos na mata, sempre iam conosco pelo menos 2 militares armados e nos com armamento com anestésico, devemos lembrar que os animais que estão lá estão assustados, somos intrusos e geralmente estão machucas, desnutridos e com dor. Esse treinamento é fundamental, para realmente ajudar e fazer tudo de forma segura. Sem colocar em risco os profissionais e os animais.

Foi montado com ajuda do Coronel Vicente responsável pelos bombeiros e foi o cabeça da nossa operação, um ambulatório aonde, nos veterinários do Instituto de bem-estar animal, os veterinários da Mata ciliar em conjuntos com os veterinários do Instituto Luiza Mell, fizemos o corpo do PAEAS 4. Um grupo muito eficiente que fez sim diferença aonde ele passou. Mas que saiu coma consciência que devemos sim expor o que está acontecendo lá e que temos muito mais para ajudar.

Bom, aqui nesse texto deixo que com esse rico material, montar uma arma poderosa para de forma tática diminuir as mortes dos animais para os próximos anos e de forma consciente fazer a diferença. Passar treinamento para profissionais, como um guia para salvar a maior quantidade de vias. e colocar todas as ferramentas voltadas a favor de uma causa tão nobre. Ajudar a Mãe Natureza a se reerguer.

Juliana Kopczynski é médica veterinária formada pela Universidade Estadual de Santa Catarina. Pós-graduada em clínica cirúrgica, atua nesta especialidade tratando de amimais domésticos e exóticos. Seu principal engajamento são as ações sociais para a causa animal, visando sempre o bem-estar dos seres vivos, assim como a pesquisa científica.