Como preparar o psicológico para volta às aulas? Confira 10 passos

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Desde o início da pandemia do Covid-19, o calendário letivo das escolas no Brasil passou por mudanças radicais. A adaptação da aula presencial para o modo online tornou-se a principal forma de ensino-aprendizagem.  

Muitas foram as barreiras e dificuldades encontradas no setor família-escola, de um lado vemos escolas correndo uma maratona contra o tempo para se conectarem de forma significativa com os alunos; e do outro lado vemos famílias estressadas e sobrecarregadas com mais uma função para ser executada em home-office

Os cuidadores precisam adquirir uma nova virtude para dar conta das exaustivas lições de casa e atividades extras dos filhos. A mãe, com todas as suas funções colaborativas, também passou a ocupar o lugar da professora. 

Professora das tarefas, educadora dos bons modos e professora do amor. Amor este que dá espaço ao seu antagônico: o ódio/ a raiva (mesmo que momentâneo) geradas pela impaciência do ensinar. Quantas choraram porque não entenderam a lição junto com os filhos? 

Quantas perderam a paciência quando havia algum problema paralelo em meio às aulas virtuais?  A pandemia proporcionou que os cuidadores e a comunidade familiar se compadecem das atribuições destinadas aos professores, que também sofreram muito nesse novo contexto de aulas online. 

Ir à escola todos os dias não é somente uma obrigação prevista por lei para aprendizado coletivo, é o lugar onde se integra o aprendizado à experiência. A escola é o lugar em que se renasce a esperança, em que aprendemos aos poucos quem somos. É o lugar de fala da comunidade. O auxílio da família: o centro do saber. 

Como se programar psicologicamente para a volta às aulas? 

O retorno à volta às aulas, a princípio, já começa a se tornar realidade. Com a volta às aulas de forma voluntária e facultativa, muitos pais começam a se questionar quanto às normas de segurança implantadas pelo poder público nas escolas. 

Como se adaptar a essa nova realidade? O que fazer? É o momento certo para expor as crianças e adolescentes? Pensando nessa problemática, a seguir pensamos em 10 passos para a programação desse retorno gradual à escola: 

1- Assim como o Covid-19, outras doenças também são transmissíveis de pessoa a pessoa. É importante orientar os estudantes quanto a importância de lavar as mãos minuciosamente com água e sabão, a intervalos recomendados pelos profissionais de saúde; 

2- O uso de máscaras em crianças muito pequenas para alguns órgãos competentes não são indicadas, por razões comprovadas cientificamente.  

3- Converse com os filhos sobre o Covid, dialogue em uma linguagem que eles entendam a importância de se cuidarem e o quanto esse cuidado é importante para todos os membros da família; 

4- Compreender que as mudanças como o uso de máscaras, álcool em gel, distanciamento, são recursos disponíveis nesse momento. Formas de prevenção estão sendo ofertadas, como a vacina por exemplo, mas neste momento o Covid não tem cura comprovada; 

5- Psicologicamente, tome cuidado para não expressar medo excessivo, ansiedade e estresse aos filhos ao dialogar sobre as normas de segurança vigentes; 

6- Se optar por não ter aulas presenciais, procurar se informar na escola se haverá disponibilidade online para atender as necessidades de seu(s) filho(s); 

7- Caso tenha muitas dificuldades em ensinar ao seu filho em casa, procure ajuda, questione se há um centro para acolher as dúvidas dos pais ao ensinar; 

8- Se os cuidadores/alunos estiverem sob estresse excessivo, independente da escolha de participar de aulas presenciais ou online, procurem ajuda psicológica para suprir essa necessidade ansiosa; 

9- Compreender que enquanto pais e cuidadores, temos um papel importante na vida de nossos filhos. Reflita que lembranças suas eles terão no futuro; e 

10- Não se sintam sós, muita gente está nesse barco junto com você. Outras famílias pensam da mesma forma que você, muitas famílias manifestam suas dúvidas e receios. 

Seu filho precisa e precisará de você, tanto nesse momento de pandemia quanto na pós-pandemia que está por vir. Lembrem-se, nosso papel enquanto cuidador é essencial para a preservação psicológica dos nossos filhos. 

Encontre alternativas, procure se informar com profissionais que possam te ajudar, invista em novos aprendizados que possam colaborar nesse momento. Que a esperança de renascer e ressignificar nossas metas e valores, faça esse ano de 2021, um ano de muito aprendizado, e também de realizações.

Adriane Wassouf é Psicóloga formada na UFMS (2009), tutora em Aleitamento Materno e Alimentação Continuada pelo Ministério da Saúde. Consultora Materna e Parental. Responsável pela Rede de Apoio Materno Amor ao Puerpério, rede de cuidados destinada à Saúde Mental de Mães, Gestantes e Puérperas.