Ex-presidente Lula defende ‘imprimir dinheiro’ para recuperar economia pós-pandemia

Foto: Ricardo Stuckert

As últimas medidas tomadas na economia, para auxiliar pessoas e empresários diante da crise provocado pelo coronavírus trouxe novas preocupações além do vírus. A grande dúvida para governantes e população no geral é, vai faltar dinheiro para todo mundo?

Ouvimos pessoas, como o ex-presidente Lula e o atual ministro da economia, Paulo Guedes, comentar sobre estratégias nada normativas de recuperação da situação econômica do país. Mas, como bem disse o próprio Guedes, é uma conta que vem um dia. Mas, qual é esta conta?

Primeiramente, precisamos entender que o dinheiro, como qualquer outra mercadoria, não tem seu valor somente pela sua “face” (a cédula em si mesmo). O valor monetário está implícito na moeda por um conceito econômico que está na vida e no cotidiano de todos, chamado LASTRO.

Um exemplo didático de lastro

Quando pedimos um empréstimo em um banco, ou compramos a crédito, sempre é necessário comprovar renda, endereço, as vezes até indicar um conhecido para contato. Todas essas informações tem um objetivo único. Oferecer análise e garantias à instituição que está lhe cedendo crédito.

Constatar sua capacidade econômica e financeira para cumprir o acordo, ou seja, que o empréstimo dado está ‘lastreado’ com a renda e a capacidade do tomador de crédito. Este é somente um exemplo desta variável que está presente em tudo nas nossas vidas.

Na economia este fator é mais presente ainda, pois é a garantia implícita na moeda emitida, que o país que está emitindo, tem riquezas suficiente para a quantidade de moeda emitida. Se a moeda é emitida como uma fábrica de dinheiro, sem que seja considerado as riquezas e a capacidade de gerar riquezas do país, as consequências são:

  • Hiperinflação – com a circulação grande de moeda o consumo aumentaria
  • Fuga de capitais – com a economia mundial vendo que o País está fabricando dinheiro, sem lastro, os investidores tiram suas reservas do país, pois temem a desvalorização do dinheiro.
  • Perda de valor da moeda – provável cenário de alta desvalorização da moeda, fazendo o país perder competitividade no mercado internacional.
  • Descontrole de juros e preços – Alta e super inflação

Inviabilidade

Em resumo, a alta rápida dos preços come a renda dos trabalhadores e empobrece a população. Empresários congelam projetos e estrangeiros deixam de investir no país. O dólar dispara, o que também faz os preços aumentarem e descontrola a inflação.

Mesmo assim, a necessidade pode ser maior que o risco, nestes casos, políticas fiscais são a garantia que o dinheiro vai recuperar seu valor em um espaço curto de tempo. A estabilidade é o caminho natural em médio prazo, trazer ao mercado, a calma necessária para não entrarmos nos cenários descritos, é o caminho mais sensato.

Assim como uma pessoa que está em estado grave por causa do Covid-19, com a saturação do oxigênio e precisa de um respirador, a economia também precisa de oxigênio quando está saturada. E por isso, essa alternativa tenha sido levantada neste momento.

*Alberto Furtado é Consultor do Mercado Financeiro pelo CRK