Guerra no Mercado: Economia x Coronavírus

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Os últimos acontecimentos da economia estão deixando muita gente preocupada, e com razão. A economia que já estava em passos lentos, piorou nas últimas semanas, devido ao risco da pandemia do coronavírus. 

Bolsas de Valores em todo o mundo caindo, dólar nas alturas, perigo de super inflação, mas por que tudo isto? Existe uma variável em meio a toda esta crise que não existia em outras crises globais, vamos recordar:

– A Crise do subprime foi uma crise financeira desencadeada em 24 de julho de 2007, a partir da queda do índice Dow Jones e motivada pela concessão de empréstimos hipotecários de alto risco. Ela afetou muito a economia, mas, tratava-se de uma crise de confiança de falta de liquidez.

– Crise Russa, também conhecida como a Moratória Russa de 1998, foi a crise que resultou em uma desvalorização do Rublo e na declaração da moratória (interrupção dos pagamentos externos) até a renegociação da dívida externa. Neste caso, todos os países em desenvolvimento, como o Brasil perderam investimentos de países ricos, com medo de “tomarem calote”.

A crise econômica atual diferente destas duas grandes crises globais, não envolve ínsices de confiança ou simplesmente de liquidez dos mercados, se refere diretamente a paralisação da economia a nível global. Os efeitos seriam enormes em várias áreas de nossa vida.

As empresas estão perdendo receitas, como as companhias aéreas, o turismo, o esporte, o entretenimento e as pessoas estão privadas de sair e portanto não consomem. A roda da economia tende a parar de girar.

O Presidente Donald Trump anunciou nesta semana que a maior economia do mundo pode entrar em recessão. Com esta previsão os mercados ‘enlouqueceram’, pois as buscas por ativos financeiros, como dólar, tiram dinheiro dos investimentos do setor produtivo.

Essas movimentações levam as pessoas a correrem para estocar produtos, principalmente alimentos, higiene e limpeza resultando em pressão sobre a alta procura, elevando os preços e criando colapso pela falta de mercadoria.

A expectativa é que partam medidas governamentais como paralisação temporária em tarifas sobre produtos, impostos sobre setores que estão em crise, como aéreo e hoteleiro para amenizar os efeitos da pandemia sobre os índices econômicos.

É importante lembrar que neste momento a prioridade está na saúde e na preservação da vida, por pior que possa ser os efeitos na economia. Os índices certamente irão se recuperar quando a pandemia tiver baixa nos números.

Alguns especialistas acreditam que isso deve acontecer em até cinco meses. Toda a demanda represada neste período deve fazer a economia voltar a crescer naturalmente. Estamos no mesmo “barco”, empresários, investidores, trabalhadores e autoridades.

Neste momento toda a sociedade deve compreender a gravidade da situação e pensar em medidas econômicas e sociais que possam nos levar a vencer esse período e voltar a crescer economicamente e socialmente.

Alberto Furtado

Analista do Mercado Financeiro