O abismo do clima

Foto: Domínio Público/Pixabay

Todo mundo já foi capaz de notar as mudanças progressivas e climáticas ao longo dos tempos. Seja pelo inverno que já não é tão frio. Seja pelas estações do ano que já não seguem o rigor do calendário ou pela chuva que parece querer se vingar da humanidade quando chega devastadora e em um dia chove a quantidade que estava prevista para um mês.

Para além dessa percepção geral, a mudança de clima chegou tem gerado fenômenos preocupantes, sendo o principal deles o aquecimento global que pode por fim à vida Terra caso não haja planos de ação e tomadas de decisões eficientes quanto ao tema.

Basicamente o aquecimento global é consequência do efeito estufa. Chama-se de efeito estufa a concentração de gases na atmosfera, formando uma camada de proteção que permite a entrada dos raios solares e absorção do calor, tornando a temperatura adequada para a preservação de vidas na Terra.

Com o passar dos anos, em razão da industrialização, a demanda pela queima de combustíveis fósseis e seus derivados para geração de energia como petróleo, carvão mineral, gasolina, dentre outras emissões de gases na atmosfera – à exemplo do gás metano que deriva de matéria orgânica – acabaram por aumentar a emissão de gases de efeito estufa e potencializaram a ação de retenção de calor no planeta, elevando a temperatura média global e colocando em risco todo o tipo de espécie de vida e seus habitats.

O cenário climático é crítico, mas há mobilizações internacionais para solução desse desastre anunciado, dentre as quais se destaca o Acordo de Paris assinado na Conferência das Partes (COP-21) em 2015 na qual os países se comprometem com meta de desenvolver economia de baixo carbono até o fim deste século.

A meta principal assumida nesse acordo é manter a média de temperatura
global em 1,5º C.

Atualmente a média é de 1,1º C e segundo o relatório da United Science de 2020 que reúne dados de diversas entidades científicas e é coordenada pela Organização Meteorológica Mundial, aponta que a mudança de ritmo da economia em detrimento da pandemia causada pelo COVID-19 não diminuiu a emissão desses gases de efeito estufa. Houve apenas um declínio temporário da emissão desses gases reflexo do movimento de fechamentos e reaberturas de economias.

O relatório também expõe que no ritmo de emissão de gases de efeito estufa em que caminhamos, a meta do Acordo de Paris não será cumprida, reforçando a necessidade de medidas mais incisivas e estruturais por parte dos governos internacionais.

E foi justamente nesta expectativa que jovens ativistas, organizações não governamentais e ambientalistas voltaram suas atenções para a reunião de especialistas do clima e governantes mundiais em dezembro do ano passado para a COP-25. O resultado frustrou, de muitas formas, todos os envolvidos por adiar para 2020 as decisões sobre o combate do clima de movo a alcançar os objetivos do Acordo de Paris.

Países como Brasil e Arábia Saudita criaram obstáculos para as negociações, pois esperavam dos países mais desenvolvidos um apoio econômico que não ocorreu. O Brasil sequer conseguiu financiamento para ações pró-clima, que o coloca ainda mais distante da meta para a qual se comprometeu em 2015.

São comportamentos que não destoam da maioria dos demais governantes presentes na Conferência e empurram a humanidade para um abismo que os cientistas já disseram não saber sua profundidade.

Talvez tenhamos que contar com outro evento pandêmico que seja capaz de transformar essa postura como sinal de que esse abismo da humanidade fica cada vez mais próximo.

Natália Teixeira Dias é Advogada, graduada pela Faculdades Integradas de Guarulhos, especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito e especializanda em Direito e gestão do Meio Ambiente SENAC.