O desafio de pensar globalmente e agir localmente

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Sempre que o assunto é meio ambiente ou sustentabilidade é possível identificar ideias e ideais merecedores de apontamentos ou lapidações vindas da população, do poder público e do setor privado para que esses conceitos sejam mais bem aplicados.

Os motivos que ensejam conceitos e entendimentos incompletos sobre os dois assuntos ou até mesmo irreais diante dos dados e fatos atuais tem vários fatores que contribuíram na formação da percepção ambiental desses agentes sociais.

Lembrando que percepção é o resultado de um conjunto de fatos e informações que se tem sobre algo ou alguém e que a complexidade da questão ambiental e de sustentabilidade demanda a unificação de ciências diferentes, recebendo o nome de assunto transdisciplinar, já se tem noção das dificuldades envolvidas na questão.

Contudo, ainda é possível apontar alguns dos principais aspectos que envolvem a questão tais como históricos, econômicos e filosóficos, nos quais o ser humano em seu processo civilizatório e de urbanização seguiu a lógica antropocentrista sempre se colocou como alheio ao meio ambiente e isso fez com que se tratasse a questão ambiental como opositora dos avanços econômicos e tecnológicos.

Referida lógica se estendeu ao ramo educacional que reforça a ideia de cisão entre homem e meio ambiente quando deixa de correlacionar a sociedade e sua qualidade de vida com a qualidade do solo, da água, do ar e a diversidade de fauna e flora do planeta e de como todos se impactam reciprocamente.

A economia que urge por consumo, lucro e renda também tem sua cota-parte neste cenário, pois insiste nas ultrapassadas estruturas predatórias em nome de um bem-estar financeiro quando poderia estar em condição de coexistência com o meio ambiente no que já se denomina economia circular.

Também a gestão pública quando aplica métodos antigos de administração pública ou não capacita e moderniza seus gestores, deixando de dar a devida importância ao tema porque partilha dos mesmos valores dos agentes sociais já mencionados.

E, por fim, a população que herda desses agentes anteriores os seus valores e cultura de enxergar o meio ambiente como algo dissociado de suas vidas, que tem no consumo desenfreado e despreocupado o impacto ambiental dos produtos uma relação que estabelece, dentre outras, status social fomentando um círculo vicioso, aliado à precariedades sociais fazendo com que os esforços em sobreviver dificultem as práticas de sustentabilidade em suas vidas.

A boa notícia é que culturas e valores não são estáticos. Felizmente ambos são dinâmicos, tal quais os agentes que os constroem e daí é possível aplicar a frase clichê, seja a mudança que você quer ver no mundo.

Se meio ambiente e ser humano são um só, toda ação e comportamento, ainda que pequeno, tem impacto global. Isto porque a mudança de valores e culturas passam por esse lugar de transformação.

Assim, todos os agentes sociais podem acertar-se num passo transdisciplinar e promover assim pequenas mudanças e bons resultados.

O lixo é exemplo clássico da ação local de pensamento global, pois é costume o descarte indiscriminado de todo o tipo de resíduo no mesmo lugar para despejo em aterro.

Exige-se algum esforço enquanto cidadão para a mudança de atitude e informação da forma ideal de consumo e descarte de produto que deve ser facilitada, estruturada e incentivada pelo Poder Público e pelas empresas fabricantes dos referidos produtos.

E se todos estão conscientes e convencidos dos benefícios da mudança de comportamento e atitude, ela se torna um valor que irá nortear novos costumes, uma nova cultura.

Um descarte consciente e responsável de resíduos gera menos necessidade de aterros; então serão menos áreas com solo, água, fauna e flora com risco de contaminação e destruição, menos emissão de gás metano e consequente redução de gases de efeito estufa na atmosfera e contribuindo para redução do aquecimento global!

A necessidade de soluções para melhora da qualidade de vida no planeta impõem desafios transponíveis e pode começar com pequenos gestos dentro de casa.

Natália Teixeira Dias é Advogada, graduada pela Faculdades Integradas de Guarulhos,
especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola
Paulista de Direito e especializanda em Direito e gestão do Meio
Ambiente SENAC.