Quando a cura encontra obstáculos e do outro lado se perdem vidas

Foto: Vincent Kalut/Getty Images

Sabemos a tempos que a única saída para uma pandemia é uma vacina. Justamente por isso, cientistas e médicos se desdobram para que ao menos algum antígeno esteja disponível o mais rápido possível como uma possibilidade a população.

O grupo de pessoas que é mais atingido e fatalmente morre pela pandemia da COVID-19, todos nós já conhecemos: idosos, cardíacos, fumantes, enfermeiros e todo o corpo médico que se expõem a doença para salvar vidas.

Seguindo por outro viés, estão os ignorantes que fingem não haver uma pandemia em curso (com o agravante de espalhar o vírus) e pessoas que por outros motivos precisam de cuidados médicos e não os tem, pois, os hospitais estão lotados. Mas uma coisa é fato, as pessoas, que muitas vezes não conseguimos definir numa pandemia, são as que realmente matam.


Quem mata numa pandemia?


Políticos, imprensa sensacionalista, ignorância e desinformação matam.

Quando temos vacinas em teste precisamos pensar na possível distribuição delas. O governador do estado de São Paulo adiantou um acordo para vacinas que podem salvar milhares de vidas. Para tanto, além de disponibilizar 80 milhões para um instituto (o Instituto Butantã) para que possa produzir e revitalizar suas instalações na produção de vacinas contra COVID e outras, garantiu a compra imediata de milhões de vacinas junto ao ministério da saúde para imediata imunização de pessoas.

É assim que políticos e ignorantes matam. Por causa de uma mensagem de uma fervorosa eleitora, que tomada pela ignorância, pede para que não se compre vacinas encaminhadas pelo governo de São Paulo. Ou quando um político de igual ignorância, decide vetar uma compra em massa de vacinas em teste.

Verdade seja dita, a compra só deve ser efetuada após comprovação e eficácia (que deve ocorrer acreditem, pois, li tudo sobre as 10 vacinas em teste), porém o mesmo critério não foi tomado para a cloroquina em igual contexto de saúde pública. É aí que a desinformação mata.

Estamos todos acostumados a contínua desinformação que ocorre principalmente pelas redes sociais: WhatsApp, Twitter ou imprensa, porém ignorar uma chance de vacina baseado na simples ideia “demoníaca” de que tudo que vem da China é ruim e tudo que se alinha aos Estados Unidos é bom, se torna uma completa ignorância (e sim mata).

Pensamos então em uma imprensa em favor de desfazer essa ignorância, mas não! Ela pega uma morte de três dias atrás para criar dúvida sobre um estudo clínico de outra vacina (que por ser inglesa, já é apoiada pelo atual presidente) se torna alvo de ataques colocando em xeque sua possível eficácia.

Com isso, essa “imprensa” desacredita uma vacina ainda em teste, sugerindo que a mesma seja perigosa como a cloroquina já apoiada pela presidência do Brasil.

Esse descrédito recai sobre a ciência e cria a crença de que vacinas não são feitas com cuidado por cientistas, tudo para atacar no campo ideológico um presidente que tem a ignorância e desinformação como arma.

Cuidado imprensa, no futuro essa descrença também poderá matar muitas pessoas e alimentar os antivacinas com a histeria de que métodos científicos não funcionam impulsionando o uso de homeopatia (sem nenhuma comprovação cientifica e técnica, tal como a cloroquina).

A vacina de Oxford (em estudo e suportada pelo governo), até o momento não mostrou nenhum efeito letal. O grupo placebo (grupo que recebe algo similar, porém não relacionado ao vírus pandêmico) é baseado numa vacina para outro organismo o Meningococo. Acontece que essa bactéria está associada a doenças fulminantes do coração, ou seja, uma pessoa com predisposição para a doença cardíaca poderia ter um efeito adverso letal.

É aí que a imprensa pode matar, criando uma desconfiança e acirrando o cenário político sem tomar o devido cuidado.

Para nossa sorte ao menos temos um ministério da saúde que entende o problema e pode regular toda essa desinformação, política e ignorância pra salvar vidas. Temos um ministro que por entender de saúde o suficiente pra se livrar desse panorama pra salvar vidas. Infelizmente não temos, pois, nosso ministro é um MILITAR debilitado que está infectado com a COVID.

Falamos de muitos que matam, mas o vírus não mata?

Não, a resposta imunológica e deficiência de órgão na resposta contra o vírus é que realmente mata os acometidos pela COVID. O vírus não sabe quem infecta e nem escolhe.

O vírus só se propaga onde pode, sendo favorecido pelos seus quatro cavaleiros do apocalipse (pandemia?): politica, imprensa sensacionalista, ignorância e desinformação.

*Wesley Luzetti Fotoran é pesquisador graduado em Ciências Fundamentais para Saúde pela Universidade de São Paulo. Cursou parte de seu doutorado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Pós-Doutorando, atualmente pesquisa vacinas de RNA auto-replicativas associadas a lipossomos catiônicos e/ou direcionáveis em modelos experimentais de malária, tumores e terapias gênicas.