Quanto vale a floresta em pé?

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Muito se fala sobre os benefícios que a conservação ambiental pode trazer às pessoas e ao planeta, bem como do tempo de recuperação de degradações ambientais muito mais lentos do que a degradação em si para conscientização das questões ambientais e estímulo das boas práticas de ecologia.

Geralmente essas informações de valores ambientais não são monetizadas para um confronto do lucro imediato que a destruição ambiental gera e do serviço ambiental permanente que deixará de ser prestado em decorrência de poluição, desmatamento e outras práticas nocivas.

E foi pensando nisso que em 2010 o livro The Economics of Ecosystems and Biodiversity (em tradução livre como A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade) reuniu especialistas para, basicamente, colocar em dólares o valor dos serviços do ecossistema e da biodiversidade.

Isso porque, segundo o estudo, por serem os serviços ambientais geralmente caracterizados como bens públicos sem um ‘preço’ na economia convencional é difícil perceber suas perdas e sua escala na lógica econômica.

Monetizar os serviços ambientais traz maior visibilidade sobre sua importância, além do seu impacto na sustentabilidade do sistema econômico onde o livro tratou de identificar e indicar possíveis políticas públicas diante dos dados e valores reunidos.

Como forma de atender a proposta de ‘fornecer o conhecimento oficial e orientação para impulsionar a agenda de conservação da biodiversidade para a próxima década’, reuniu-se estudos de casos e dentre eles o da Floresta Amazônica.

Os estudos levam em conta escala de importâncias globais, continentais, regionais e locais para definir os valores e serviços a serem elencados pelo seu alcance, tal como o serviço de sequestro de carbono -escala global- cuja definição básica consiste na capacidade da floresta absorver grandes quantidades de dióxido de carbono presentes na atmosfera.

Vale lembrar que dióxido de carbono é um dos principais gases geradores do efeito estufa. Se for esta a primeira vez que você me lê, recomendo o artigo ‘O abismo do clima’ onde explico o que é o efeito estufa e sua correlação com as mudanças climáticas.

A capacidade de sequestro de carbono pela Floresta Amazônica foi avaliada na época do estudo entre 1,5 a 3 trilhões de dólares medida pela capacidade em giga toneladas de armazenamento de carbono em sua biomassa acima e abaixo do solo e em confronto com o principal equivalente em prejuízo no caso de ausência desse serviço, neste caso, a queima de combustível fóssil.

O sequestro de carbono realizado pela Floresta Amazônica nos poupa de um equivalente a 20 anos de queima de combustível fóssil, principal causa das mudanças climáticas tratadas no artigo acima destacado.

O livro segue mostrando as escalas de importância, serviços, benefícios e valores em dólares de cada um deles, demonstrando monetariamente que a degradação ambiental nos custa muito caro.

Já pensou se a Floresta Amazônica nos mandasse uma fatura pela prestação dos seus serviços?

Natália Teixeira Dias é Advogada, graduada pela Faculdades Integradas de Guarulhos, especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Escola Paulista de Direito e especializanda em Direito e gestão do Meio Ambiente SENAC.