Você sabe o que significa “Lucky Dog”?

Foto: DarkSide Karts

Lucky Dog é um termo que surgiu na Nascar para uma regra onde o primeiro piloto uma volta atrás da volta do líder poderia descontá-la. Algumas outras categorias utilizam também o mesmo termo, mas para regras diferentes como é o caso dos 500 KM Profissional do KGV, permitindo um piloto que originalmente largaria entre o vigésimo e o último, largar entre segundo e décimo.

Esta prova é uma edição encurtada das 500 Milhas Profissional, durando 7 das 12 horas originais, sendo muito tradicional e famosa no kartismo nacional. Para se ter uma ideia da dimensão deste evento, ela conta com transmissão de TV a Cabo (da primeira e a última hora) e com participação de muitos pilotos renomados que tem no currículo categorias como Fórmula 1 e Stock Car.

Neste evento, realizado em 14 de Novembro, estive com a equipe Mercury Motorsports, formada pela nossa chefe de equipe, Gabriela Pedron, mais três pilotos, Marcelo YassuoMarco Vojvodic e Murilo Marchesan, e eu na cronometragem. Equipe pequena, mas cheia de garra e vontade. Com apenas um kart, deveríamos ser muito cuidadosos pensando sempre no longo prazo, pois em 7 horas de corrida muita coisa pode acontecer.

Desta vez o kart é utilizado é um Pró 500, um tipo específico para competições profissionais, ele diferencia-se principalmente pelo seu visual e o comportamento mais arisco na pista. Diferente do kart rental, o motor possui 18cv de potência (ao invés dos 13cv), possui pneus de maior aderência e sua característica mais marcante é a carenagem que dá ao kart um visual único.

Começamos com o briefing para as equipes onde o diretor de prova nos informou alguns detalhes para a corrida orientando os pilotos para algumas situações que ocorrem em pista. Na sequência foi o sorteio do Lucky Dog, neste momento cruzamos os dedos para nosso kart não ser o escolhido, pois para nós largar muito na frente não seria bom para a nossa estratégia (não queríamos estar no meio de uma eventual confusão que pode ocorrer na disputa pela ponta). Para realizar o sorteio ninguém melhor que o pole position, Rubens Barrichello. Pois bem, sorteado o kart premiado veio um momento de suspense para nossa surpresa e um certo desespero era o nosso kart 80, partindo do sexto lugar no grid.

Largada no estilo Le Mans, para dar mais charme à prova nosso piloto correu até o kart e acelerou fundo, e logo na primeira curva nos envolvemos em um acidente que danificou nosso kart, de sexto caímos para último. Após a parada de reparo, toda nossa estratégia havia ido para o ralo, mudou tudo, era tentar recuperar e torcer pelo melhor e assim seguimos, tentando superar cada adversidade que a prova nos trazia, a exaustão física, a tensão. Foram 7 longas horas, que por muitas vezes pareciam não passar, todos estavam tensos, principalmente quando entramos nos minutos finais. Um kart que estava uma posição a nossa frente bate e sai da prova, ficamos na expectativa pois qualquer coisa poderia acontecer naqueles momentos finais. Ninguém tirava os olhos da pista, e todos a seu modo estavam torcendo para tudo acabar bem e não ter mais surpresas.

Por fim, com os muitos fogos que marcam o fim da corrida passamos pela bandeira quadriculada e toda a tensão e medo se foram dando lugar a gritos e choro de alegria. Depois de tantas adversidades, medos e frustrações conseguimos chegar ao 4 lugar (com um sabor de vitória) na categoria Light. Foi com muita emoção e esforço para a recuperar uma corrida que parecia perdida, mas foi um pódio digno de um Lucky Dog.

Paulo Campaneli é Analista de Sistemas, piloto de kart e de Fórmula Vee, apaixonado por automobilismo e carros, entrou no mundo do esporte a motor em 2017, representando Guarulhos na modalidade. Ele participa das etapas na Fórmula Vee no Campeonato Paulista, Copa ECPA, e kartismo amador.