Companhia Bueiro Aberto exibe documentário sobre memória, verdade e justiça

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O documentário aponta referências teóricas, resgata episódios marcantes e tristes que Jano presenciou e suas perspectivas políticas

Resgatar a história do movimento proletário brasileiro e discutir sobre os crimes cometidos no período da ditadura militar são algumas das abordagens de Jano Ribeiro: De Lutas e Sonhos, novo documentário da Companhia Bueiro Aberto que estreia nesta sexta-feira (13), em exibição no canal do Youtube do coletivo.

Dirigido pelo cineasta Renato Queiroz, o curta-metragem foca a biografia política de Jano Ribeiro, militante histórico do movimento sindical e democrático. Jano lutou por uma Democracia Popular com justiça social no Brasil. Foi perseguido, preso e torturado na ditadura militar. Seu ímpeto e luta não enfraqueceram e ele permaneceu nas batalhas por um país mais humano.

De acordo com Renato, o documentário traz à tona o debate sobre a necessidade da luta por memória, verdade e justiça sobre os crimes do Estado Brasileiro na ditadura civil-militar-empresarial, de 1964 a 1988.

Esse documentário oferece resistência a essa tendência conservadora, a partir da noção de democracia, conceito intrinsecamente ligado às lutas pelo poder popular, que por sua vez não podem estar descoladas da luta revolucionária”, observa o cineasta.

O filme foi montado com base em uma entrevista que Jano concedeu à União da Juventude Comunista de São Paulo (UJC SP), em 2013, e outra para o Espaço Cultural Latino Americano (ECLA), por volta de 2010. A edição do documentário conta com imagens do arquivo pessoal de Jano, com fotos de sua juventude e de eventos históricos relatados por ele.

A trilha sonora conta com um trecho de uma composição do próprio diretor Renato Queiroz, uma canção do MST e uma antiga canção do partido comunista espanhol no contexto da guerra civil.

Relevância

O cineasta Renato Queiroz enfatiza ainda que, em meio a um contexto de negação do caráter autoritário e golpista dos governos militares, criminalização do comunismo e defesa do conservadorismo moral, somado ao liberalismo econômico radical, é significativo que se produza conteúdo audiovisual sobre essa temática.

Em sua juventude, Jano Ribeiro foi militante da esquerda da União Democrática Nacional (UDN). Funda o PSB e se aproxima da II Internacional, tendo contato com as notícias da Revolução Russa e das conquistas da URSS.

Une-se às fileiras do PCB, de onde não mais se afastará. Já militando pelo Partido Comunista, trabalha na editora Brasiliense com Caio Prado Júnior, funda o sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, organiza e participa de diversas greves e faz intenso trabalho de base nas fábricas da região.

Se tornou dirigente do partido, foi preso, teve sua família perseguida – inclusive o filho criança -, foi torturado e condenado injustamente pela ditadura. Seu tratamento psiquiátrico pós-traumático foi desumano e baseado em sedação por psicotrópicos, o que também configura uma pauta da luta antimanicomial e o resgate da figura da terapeuta Nise da Silveira.

Por fim, o documentário aponta referências teóricas como Clovis Moura, Kalinine, o próprio Caio Prado Júnior, resgata episódios marcantes e tristes que Jano presenciou, como a morte de Alexandre Vannuchi, e suas perspectivas políticas, como o debate sobre imperialismo.