Artistas de Guarulhos aguardam fomento da Lei Aldir Blanc para reativar projetos em 2021

Foto: Rodrigo Marcelo

Os recursos são destinados cultura local e deve beneficiar espetáculos e apresentações na cidade após a crise do coronavírus ter afetado diretamente o setor em 2020

Os municípios que ainda não manifestaram interesse em receber repasses da Lei Aldir Blanc têm somente até este sábado (17) para solicitar os recursos por meio da Plataforma+Brasil. A Lei destina R$ 3 bilhões para apoiar o setor cultural durante a pandemia da Covid-19.

Os recursos podem ser usados em três segmentos: pagamento de renda emergencial aos trabalhadores da cultura, subsídio mensal para manutenção de espaços artísticos e culturais e iniciativas de fomento cultural, como editais, chamadas públicas, prêmios, entre outras.  

A cultura foi um dos setores mais afetados pela pandemia do coronavírus, mas os recursos trazem um alento para artistas e produtores culturais. As expectativas são positivas para 2021 em Guarulhos, o município integra a lista dos que farão editais para promoção da cultura local.

Para Beatriz Mazzei, assessora cultural, a pandemia afetou apresentações e os lançamentos dos artistas por falta de verba. “Esse subsídio é fundamental para que eles possam retomar suas atividades e façam a cena cultural da cidade crescer,” afirmou a jornalista.

Música

A dupla Ricardo Santiago e Antony Ventura está entre os artistas que se propuseram a disputar a contemplação do repasse para dar continuidade ao disco ‘Estrada Mãe’ que teve seu lançamento adiado.

Este trabalho foi produzido de forma colaborativa contando com uma campanha de financiamento coletivo, realizada e contemplada ano passado. Mais de 30 pessoas serão beneficiadas diretamente com o projeto e estamos ansiosos pela possível contemplação.

Foto: Maurício Bueno

“Gostaríamos que muitos projetos, especialmente da cidade de Guarulhos, pudessem ser contemplados por este edital. Todos são trabalhadores e trabalhadoras, merecedores (as) de todo apoio financeiro e estrutural que necessitarem para realização de suas atividades.”

A lei Aldir Blanc atende uma medida momentânea passageira. Nossa preocupação é quando isso tudo passar, qual será a resposta dos departamentos responsáveis com a vida destes que fazem tanto por nosso país?” questiona a dupla.

Circo

A trupe do Circo Marambio está há mais de sete meses parada em um terro no bairro Santo Lídia, com a lona baixa e uma imensa vontade de se apresentar. A pandemia estourou na semana de estreia na região Taboão. “Sem renda, as contas não pararam de chegar“, contam.

Segundo os irmãos Marambio, a verba permite que os artistas desenvolvam seus processos criativos e coloquem em prática as atividades que beneficiam os trabalhadores culturais e a população que será contemplada com apresentações.

Foto: Arquivo Pessoal Circo Marambio

Confira a íntegra do depoimento dos representantes do Circo Marambio:

“No Circo Marambio a expectativa é grande, pois estamos sem bilheteria e receber a verba permitirá colocar o circo em condições de funcionamento. Somos itinerantes e não temos espaços fixos, nossa estrutura precisa de cuidados específicos. Os pneus das carretas, dos trailers, manutenção de ferragem, aluguel de terreno, água, luz, entre outros serão suprimidos.

Também enviamos uma proposta para o edital e esperamos ser selecionados, pois isso garantirá duas temporadas na cidade com um espetáculo formado pela grande maioria dos artistas nascidos e formados aqui.

Além de nosso espetáculo, nosso circo também é um espaço cultural ambulante que abre espaço para outras manifestações culturais, possibilitando nos diversos bairros, principalmente periferias, espaços de atuação cênica com som, luz e acomodação para o público.

Por último, gostaria de dizer para as pessoas que não acompanham muito o setor cultural, que essa verba não prejudica os outros setores como a educação ou a saúde por exemplo.

A verba da Lei Aldir Blanc vem do fundo da reserva da cultura empenhada no Ministério da Cultura, hoje Secretaria Especial da Cultura e que provém de repasses de percentuais muito baixo se comparados com os outros setores.

Essa verba emergencial também não pode ser utilizada em equipamentos públicos, por isso é importante deixar claro que ela veio para dar suporte aos fazedores de cultura que deixaram de ter sua renda nesse momento difícil da pandemia”.