Auxílio de R$ 600 é renda única de mais de 4 milhões de brasileiros, diz IPEA

Foto: Marcela Vasconcelos (GO)

Em julho, cerca de 4,4 milhões (6,5%) de domicílios brasileiros sobreviveram apenas com a renda do auxílio emergencial. Nesses últimos meses de pandemia no país, milhões de pessoas puderam manter suas casas e contas, subsidiadas pelo benefício de R$ 600.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre os domicílios mais pobres, os rendimentos atingiram 124% conforme aponta estudo publicado nesta quinta-feira (27). Mas, nem todos os brasileiros que solicitaram o auxílio emergencial foram contemplados.

É o caso de Ângela Rita de Souza, que trabalha como autônoma com a venda de cosméticos e roupas, ela relatou ao GO que teve os rendimentos prejudicados pela atual crise. “Solicitei o auxílio porque os primeiros meses da pandemia meus ganhos caíram 70%”, apontou.

Ao contrário da autônoma, a comunicadora recém formada, Marcela Guedes, que trabalha como freelancer, mas que perdeu também possibilidade de trabalhos durante a quarentena. Apesar disso, ela foi contemplada com o auxílio emergencial, com o qual tem se mantido.

A pausa provocada pelo fechamento do comércio e as medidas de distanciamento social provocaram quedas brutas na arrecadação da economia, sobretudo local. Até abril, houve queda de 18% no colhimento de ICMS* só no estado de São Paulo.

Guarulhos, que fica apenas atrás da capital e é a 8ª economia mais importante do Brasil deixou de arrecadar R$ 600 milhões, segundo informou o Secretário de Governo Municipal, Edmilson Americano em maio.

O Governo Federal estuda estender o auxílio emergencial até pelo menos o fim deste ano, mas o valor deve cair progressivamente. Apesar desse recurso ser a fonte de renda de muitos brasileiros e responsável por reativar a economia, a medida é vista com desaprovação pelo Ministério da Economia e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional.

 *Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços