Estudo aponta que auxílio emergencial precisa de melhorias para beneficiar população de forma mais “rápida e eficaz”

Foto: O Globo/Reprodução

Desde que o Brasil entrou em crise econômica por conta do novo coronavírus, o auxílio emergencial de R$ 600 se tornou para algumas pessoas, única fonte de renda. Mas a ajuda não pode terminar de forma “brusca” ao menor sinal de retomada da economia.

É isso o que aponta um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O documento é intitulado como “As transferências monetárias federais de caráter assistencial em resposta à COVID-19: mudanças e desafios de implementação”.

Os pesquisadores da instituição apresentam alguns desafios enfrentados pelo programa e apontam sugestões para tornar essa ajuda mais eficiente. Letícia Bartholo é uma das coautoras da pesquisa e afirma que parte “expressiva” da população teve dificuldade com os canais de comunicação digitais. 

Mas esse não é o único desafio, “A barreira é o Estado não se adequar à população, às características da população que se quer atender. Não podemos culpar a população. Temos, como poder público, a responsabilidade de fazer um mecanismo de acesso que seja compreensível a essa população”, avaliou Letícia Bartholo.

De acordo com o estudo do Ipea, em um contexto de pós-pandemia, o auxílio não encerre de forma abrupta. “Não pode ser, por exemplo, de três meses e no quarto mês não existe mais nada”, explica a pesquisadora Letícia Bartholo. “É um fato as pessoas precisarem de um tempo para se reerguer no mercado de trabalho”. 

Para a pesquisadora, um primeiro ponto a ser trabalhado nessa questão é começar a elaborar uma prorrogação do Auxílio Emergencial e, depois, pensar em uma transição. “Diminui o auxílio paulatinamente ao longo de alguns meses enquanto se insere essa população vulnerável em um novo modelo de proteção social de transferências monetárias que seja, necessariamente, mais abrangente do que o programa Bolsa-Família”, explica.