PC investiga oferta de suborno recusada por Goleiro do Flamengo GRU


A Polícia Civil de São Paulo investiga atualmente oito casos de manipulação de resultados em partidas de futebol no estado, envolvendo times de diferentes divisões.

O caso que mais chamou atenção da PC por envolver um grupo de advogados apostadores, foi a tentativa de manipulação específica, com objetivo de que o goleiro do Flamengo, Diogo Calheiros Fernandes, sofresse dois gols no primeiro tempo em um jogo contra o Jabaquara, válido pelo Campeonato Paulista da Segunda Divisão da categoria sub-20.

De acordo com o inquérito, R$ 5 mil chegaram a ser oferecidos ao jogador que denunciou o aliciamento, além de ter sido ofertada a possibilidade de contraproposta. O jogador não recebe salário do clube, somente uma ajuda de custo do seu empresário de R$ 600 mensais.

A reportagem tentou contato direto com Diogo, sem sucesso. Por telefone, o presidente do Flamengo de Guarulhos, Edson David Filho, informou que o atleta ficou “assustado” com a abordagem e está incomodado com os desdobramentos do caso, pois já precisou depor na Polícia Civil e na Justiça Desportiva. Apesar da conduta exemplar do atleta, o dirigente pediu que não houvesse entrevista com o jovem de 18 anos.

– Ficou bem assustado. A pessoa até falou que se quisesse colocar mais alguém no meio, outro jogador, (ele) poderia até indicar. Quando chegou para nós, já fizemos contato com a ouvidoria da FPF – explicou o dirigente, ressaltando que foi a primeira vez que teve notícia de um contato dessa natureza com atletas do clube.

O autor da abordagem já foi identificado pela Drade e está indiciado. Luiz Henrique Gonçalves Inácio, de 22 anos, é estudante do quarto ano de Direito, mas trabalha fora da área, em uma empresa de logística. Além do valor do seu salário ser inferior ao que foi ofertado, mensagens do aliciador em posse da polícia apontam que um grupo de advogados estaria por trás da aposta.

O delegado também falou sobre o indiciado como autor do crime:

– É um estudante do quarto ano de Direito, trabalha na iniciativa privada, em uma empresa de logística, não trabalha na área de Direito, ganha R$ 2.600 e chegou a oferecer R$ 5 mil. Ele aqui alega que queria ser empresário de jogador de futebol, queria entrar no mundo futebolístico. Mas não tem ligação nenhuma com clube ou atletas, nada disso. Ele fala claramente que pertence a um grupo de advogados que apostam nesses sites, nessas bolsas de aposta. O atleta tem 18 anos, joga na Quarta Divisão, ele só entrou em contato, deu o telefone dele, porque acreditava que fosse uma proposta para jogar.

Em depoimento à Polícia Civil, Luiz Henrique negou a tentativa de aliciamento e afirmou não fazer parte de qualquer grupo de apostas. Alegou que queria ajudar financeiramente o atleta e pretendia ser seu empresário. No fim do depoimento, o defensor do acusado informou que todos os contatos foram “através do próprio telefone do indiciado, imaginando não incorrer em qualquer crime, demonstrando assim sua boa fé”.

 

 

 

 

 

 

 

*Com informações do Globo Esporte
Foto: Vicente Seda