Copa América abre placar e registra 41 casos positivos de Covid-19

Foto: Carl de Souza/AFP

Recusada em países estrangeiros por causa da pandemia, o torneio é visto como “risco sanitário desnecessário”; Marcelo Queiroga afirma que ocorrência de casos “faz parte” da situação

O Ministério da Saúde confirmou, nessa segunda-feira (14), o registro de 41 casos positivos de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em pessoas envolvidas com a Copa América no domingo (13), dia do início da competição.

Os casos referem-se a 31 jogadores e membros de delegações e a 10 prestadores de serviços contratados para o evento. De acordo com a pasta, todos os casos de prestadores de serviços foram confirmados em Brasília [DF]. Além disso, a positividade de casos por Covid-19 foi de 1,40%.

“Os resultados do sequenciamento genético para análise de variantes serão concluídos em até 14 dias, prazo necessário para realização da análise”, afirmou o Ministério em nota.

Em entrevista, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga disse que os 10 prestadores de serviço identificados eram trabalhadores de hotéis onde atletas e comissões técnicas que disputam o torneio estão hospedados. Os profissionais e pessoas que tiveram contato com eles foram isolados, acrescentou Queiroga.

No comunicado, o Ministério da Saúde também informou que, até o momento, foram realizados 2.927 testes de tipo RT-PCR em jogadores, membros de delegações e prestadores de serviços.

Entraves

No dia 08 de junho, Queiroga afirmou na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia que a Copa América não representa riscos adicionais à população e que, do ponto de vista epidemiológico, não há justificativa para o torneio não ser realizado no Brasil, posicionamento que recebeu críticas de senadores.

O senador Humberto Costa (PT-PE) rebateu o argumento e disse que não é possível equiparar a Copa América a outras competições e que, além de atletas, virão milhares de funcionários das comissões técnicas e jornalistas.

Ele classificou como um ” equívoco” dizer que o ministério não poderia interferir por se tratar de um evento privado e afirmou que cabia à principal autoridade sanitária do país vetar ou aprovar o evento em um momento de pandemia. 

“É correr risco sanitário desnecessário. Vem gente de fora que pode trazer outras cepas. O Ministério da Saúde não teve o poder de aprovar ou vetar”, criticou. 

Ainda na semana passada, o ministro minimizou a ocorrência de casos positivos da doença entre membros das delegações estrangeiras. “Faz parte. Se não tivermos possibilidade de casos positivos, não teríamos protocolos rigorosos. Devem vir outros atletas e acontecerá a partida normalmente”, afirmou Marcelo Queiroga.

Copa América

A edição da Copa América deste ano está sendo sediada no Brasil após ser recusada na Colômbia e na Argentina por causa da pandemia de coronavírus. Um acordo entre a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), intermediado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), trouxe o torneio para o solo brasileiro.

O primeiro jogo da competição foi realizado em Brasília neste domingo, entre o Brasil e a Venezuela. Ao menos 13 integrantes da seleção venezuelana tiveram o teste positivo para Covid-19, entre atletas e membros da comissão técnica. A Seleção Brasileira ganhou a partida por 3 a 0.

*Com informações da Agência Brasil, Estadão e GZH