GO ENTREVISTA: Thaísa Toledo, artesã e empreendedora sustentável

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O GO Entrevista conversou com Thaísa Toledo, 38 anos formada em Turismo pela Anhembi Morumbi e em Moda pela Faculdade Santa Marcelina. A artista é idealizadora das marcas @ciecoembalagens alternativa para substituir o plástico que usamos diariamente com embalagens reutilizáveis e duráveis com estampas indígenas, brasileiras e africanas e @thaisatoledoacessorios acessórios feitos a partir de calhas, fórmicas, canaletas, tubos, perfis, azulejos e outros objetos da construção civil. Ambos  pautadas no empreendedorismo  sustentável como conceito de marca. Confira:
GO: De onde parte sua história com sustentabilidade?

“Não me lembro de um fato específico. Desde pequena sempre tive bastante contato com a natureza e lembro da sensação de gostar e achar bonito estar ali, de reparar nas folhas, no céu, etc. Quando dormia nos meus avós maternos, minha avó abria a janela e falava” Bom dia Natureza”. Então, acho que deve ser uma mistura de vivência com consciência.
Acho estranho as pessoas acharem que sustentabilidade é um assunto de quinto plano, porque é a nossa vida que está em jogo. É o local que moramos, que as pessoas que a gente ama moram, enfim, e deixamos de ganhar dinheiro com isso. Eu acho que desde que eu tive informação da importância que o assunto sustentabilidade tem para a nossa sobrevivência, comecei a agir”.

GO: Como foi sua trajetória antes de iniciar esses trabalhos ?

“No colegial não sabia o que eu “queria ser quando crescer”, prestei engenharia florestal (já uma intuição), passei para segunda fase da FUVEST, rezando pra não entrar, e não entrei.
Fiz cursinho, ainda sem saber o que ser. Fiz Turismo, que na época era a profissão do futuro. E no último ano do curso, caiu uma ficha, não sei de onde, que eu precisava fazer Moda. Prestei, passei e me encontrei”.

GO: E como foi essa ‘guinada’ de engenharia florestal para Moda?

“A faculdade de moda abriu minha cabeça para vários horizontes. Fiz roupa, figurino, produção de moda, mas, me identifiquei mesmo com os acessórios. Depois tive um restaurante e parei com tudo, fiquei em off um tempo, quando surgiu a Cie, agora em 2020 retomei os acessórios”.

Arquivo Pessoal

GO: De onde e como partiu as ideias para criação e a iniciativa de começar a venda desses produtos?

“Com relação a Ci estudei bastante e na descobri que na Austrália e nos EUA tinha uma galera fazendo um tipo de pano que substituía o plástico filme, 100% natural e ao final da vida útil, compostável. Achei aquilo lindo, um produto que tem o ciclo de vida aliado à natureza, ou seja, lixo zero! Aliás, já parou para pensar que somos a única espécie que produz lixo? aquilo ficou na minha cabeça e decidi investir na ideia”.

Arquivo Pessoal

“Em relação aos acessórios, visitando um galpão enorme, que vende materiais de metal para a construção civil, quando vi tudo aquilo fiquei encantada e tive um insight de fazer acessórios com aquilo e aí foi”…

Arquivo Pessoal

GO: Como é o processo de construção e design? Você conta com mais gente para desenvolver ou faz tudo sozinha?

 

“Planejo e busco referências para as duas marcas. Crio e desenvolvo sozinha. Para a execução, uma parte conto com prestadores de serviço, outra parte faço no atelier”.

GO: Como as pessoas recebem esses materiais? Com surpresa? Como tem sido a procura?

“Os produtos da Ci, a maioria que entra em contato não conhecia e se interessa, são pessoas que já se tocaram sobre o impacto do lixo gerado no dia a dia, de como é possível mudar os hábitos sem sofrer,  outras não acham tão importante e repetem que só uma pessoa indo contra a corrente não muda nada. Os acessórios, as pessoas acham interessantes, fortes e gostam do fato de terem vindo da construção civil”.

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GO: Por que vc escolheu o Instagram como ferramenta pra divulgação? As compras são feitas via e-commerce?

“Escolhi o Instagram pois é uma plataforma de fotos melhor para mostrar o trabalho de forma gratuita e tem o público das duas marcas. As compras são pelo Instagram, via direct. Em breve lançarei o e-commerce”.

GO: Como você desenvolveu os conceitos das marcas? Cores, estampas africanas, os materiais dos acessórios a partir da construção civil?

“O conceito da Ci é falar de um monte de coisas importante numa marca só. Sustentabilidade, a questão indígena e a questão do negro. Uma parte dos tecidos são estampados com grafismos de referência indígena brasileira e outra parte são tecidos vindos do continente africano. Quanto aos acessórios fiz alguns moldes a partir de calhas e perfis que encontrei naquele galpão que visitei e também uso restos de fórmicas, azulejos antigos e pedras como ardósia e pedra mineira. Eu considero que há nas duas marcas o conceito forte de ressignificar“.

Arquivo Pessoal

GO: Como você acha que está contribuindo com o meio ambiente e de que forma destaca a importância de atitudes como essa para o momento que estamos vivendo?

“Contribuo com atitudes práticas no dia a dia como a reciclagem em geral. Procuro utilizar produtos de higiene pessoal e limpeza da casa mais naturais e que eu mesma posso confeccionar, busco trazer a natureza mais para dentro de casa, busco consumir menos e desperdiçar menos no geral; comida, água, material, roupa, material, água. Se eu posso ir a pé, porque ir de carro? Já aproveito e me exercito! Gentileza com as pessoas que você encontra no seu dia e procurar tornar a vida ao nosso redor mais agradável para gente e para os outros”.

Arquivo Pessoal