Maternidade: O que é ser mãe no contexto atual?

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Ser mãe não é tarefa fácil, dificilmente vemos alguma mãe que tira a maternidade de letra. Por ser uma função de grande exigência familiar, temos tendência a associar a maternidade a perfeição. Quanto mais bem criados, articulados e entendidos são os filhos, mais perto da perfeição e da sensação do dever cumprido aquela mulher estará. 

A essa noção social, do politicamente correto, existe a lacuna de que tudo por mais perfeito que seja ou esteja tem-se um preço a pagar. Nos bastidores daquilo que não é revelado, enxergamos a mãe (ou cuidador) vivendo “a vida como ela é”, sem defesas, em sua verdade nua e crua e natureza vulnerável (no sentido de ser portadora de necessidades).

Com licença poética, parafraseando Nelson Rodrigues, “com todos os dramas, aventuras e coletâneas da vida real”. Nua e crua no sentido de expressar seus reais sentimentos, suas principais dificuldades e as pequenas conquistas do aprendizado diário. 

Na luta incansável de suprir as próprias expectativas e ainda assim, equilibrar o peso da responsabilidade em ser um referencial para o(s) filho(s). Isso é Ser Mãe: é ser guardiã quanto ao sucesso ou insucesso nas tarefas a que se tem responsabilidade, incansáveis ou não.

Construir e desconstruir os processos de aprendizagem tanto solo, quanto acompanhada pelos filhos. É aprender a se vincular todos os dias (e sim, o vínculo constitui-se como tarefa árdua, porém recompensadora). Ser Mãe também é conviver com as dificuldades e também superá-las. 

Pensem em como é desgastante ter essa tarefa de superação e suficiência materna? Com total certeza, em algum momento ela pensa em desistir, porém ela consegue transformar essa força repressora em força motriz, que a impulsiona e a faz caminhar para frente vencendo os conflitos diários. 

Novos tempos, novos aprendizados 

O cenário atual em que estamos vivendo, mostra a preocupação quanto às novas exigências, protocolos e cuidados frente à pandemia do Covid-19. Com o surgimento de novas demandas no ambiente familiar, os cuidadores desdobram-se em mil talentos para suprir a demanda dos filhos (o que se constitui como grande desafio nesses novos tempos). 

Toda essa situação nos mostra o quanto temos a aprender no contexto da Maternidade e da Criação dos Filhos (Parentalidade). Também é possível colocar na balança o quanto aprendemos e temos a aprender nesse contexto necessário.  

Criar com empatia 

Para concluir essa coluna (nessa temática), podemos entender que Ser Mãe é criar com empatia, no sentido de identificar-se com as angústias e reveses dos filhos, é estar do outro

lado do vale do sofrimento, e mesmo assim ter a segurança em mostrar a saída. Também é procurar canais de comunicação em que seja possível expressar suas dores, e aceitar que não somos o suficiente o tempo todo. 

Tudo bem não ser o suficiente o tempo todo, tudo bem não conseguir fazer o que não estava programado para hoje, tudo bem se cobrar menos, tudo bem… Estamos aqui para falar da mãe real, da mulher real, do cuidador real, estamos aqui para construir e respeitar esse novo espaço de compreensão e acolhimento.

Entender que por mais que tentamos, não somos fortes o tempo todo. E que juntos torna-se possível fazer essa diferença com aqueles que mais amamos. 

*Adriane Wassouf é psicóloga formada na UFMS (2009), tutora em Aleitamento Materno e Alimentação Continuada pelo Ministério da Saúde. Consultora Materna e Parental. Responsável pela Rede de Apoio Materno Amor ao Puerpério, rede de cuidados destinada à Saúde Mental de Mães, Gestantes e Puérperas.