Homem é assassinado ao voltar para casa após denunciar esquema de tráfico no aeroporto

Foto: Reprodução/Fantástico

O funcionário do Aeroporto de Guarulhos encontrou duas malas com cocaína e acionou a Polícia Federal; antes de ser assassinado ele foi ameaçado por um integrante do esquema: “Já te entreguei para os caras”

Nos últimos dois anos, a Polícia Federal (PF) apreendeu uma tonelada e meia de cocaína no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A droga era transportada em malas comuns pelos traficantes e o esquema envolvia funcionários do aeroporto. De acordo com a investigação, pelo menos 50 são suspeitos de atuar com a quadrilha.

Segundo reportagem do Fantástico, as bagagens com a droga eram despachadas em guichês vazios. Ao chegar na área restrita, funcionários trocavam as etiquetas e encaminhavam as malas ao embarque internacional. Durante as investigações, esse processo se repetiu ao menos 27 vezes.

O crime organizado recrutava os funcionários oferecendo grandes quantias em dinheiro. De acordo com Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da PF, a quadrilha “chegou a oferecer meio milhão de reais para grupos fazerem o embarque de entorpecentes em algumas situações”.

Aqueles que atrapalhassem o transporte das drogas sofriam retaliações, como aconteceu Arisson Moreira Júnior, que encontrou duas malas com cocaína e avisou à PF. Ele foi assassinado na mesma semana enquanto retornava do trabalho para casa. A Polícia afirma que Arisson foi ameaçado por outro funcionário, Márcio Perez, quando fez a denúncia.

“Já te entreguei para os caras”, teria dito Perez.

A defesa de Márcio Perez nega o envolvimento dele no homicídio e afirma que ele não sabia o que tinha dentro das malas. Perez está preso e aguarda o júri popular.

Em operação na semana passada, a PF prendeu 29 pessoas e apreendeu mais de R$ 240 mil em dinheiro na casa de suspeitos. Um deles tinha uma frota de 18 carros que alugava para motoristas de aplicativo. De acordo com a polícia, os veículos foram comprados com dinheiro do tráfico.