Vereadores divergem sobre volta às aulas em Guarulhos durante período de pandemia

Foto: Eduardo Calabria/PMG

Parlamentares contrários ao retorno apontam risco de contágio e óbitos; favoráveis entendem preocupação, mas afirmam que a educação não pode parar

Na Sessão Extraordinária do último dia 09 de junho, a vereadora Janete Rocha Pietá (PT) protocolou um Requerimento que pede ao Executivo informações sobre profissionais da Educação que tiveram casos de Covid-19 confirmados. A preocupação da parlamentar é com a volta às aulas durante a pandemia.

Janete mostrou-se contrária ao retorno das crianças à escola nesse momento e foi acompanhada pelos colegas Edmilson (PSOL) e Prof. Rômulo Ornelas (PT). “Algumas crianças estão vindo a óbito devido à Covid-19; educação é fundamental, mas nesse momento o mais importante é a vida”, afirmou.

Desde o dia 01 de junho, as aulas presenciais retornaram nas escolas da rede municipal de Guarulhos. A frequência é facultativa e acontece de forma híbrida, ou seja, com atividades remotas e presenciais.

A vereadora questionou qual é o número de profissionais da rede pública que foram contaminados, incluindo professores, agentes de portaria e profissionais de limpeza. Além disso, Pietá falou sobre o risco de uma criança assintomática transmitir a doença no ambiente escolar.

“Nem todas as escolas têm condições de atender os protocolos sanitários, mesmo assim a Prefeitura optou de forma irresponsável pelo retorno às aulas, colocando em risco as crianças, os familiares e os trabalhadores da Educação”, afirmou.

Debate

O vereador Edmilson relembrou que, embora os profissionais estejam recebendo a vacina agora, o efeito pleno da vacina só começa a valer após a segunda dose. Já o vereador Rômulo citou outro agravante quanto ao público atendido pela Educação de Jovens e Adultos EJA, que tem alunos idosos. “O EJA é um público adulto que não teve acesso à vacinação, então é temerária essa volta às aulas”, acentuou.

Os vereadores Jorginho Mota (PTC) e Welinton Bezerra (PTC) e a vereadora Márcia Taschetti (PP), posicionaram-se favoráveis ao retorno das atividades escolares.

“É claro que nós temos que ter essa preocupação em relação às crianças e à pandemia, mas nós também temos que entender, diante do quadro atual, que não podemos parar com a educação de nossas crianças”, declarou Mota.

Bezerra disse que não dá pra ficar esperando em casa sem saber quanto tempo a pandemia vai durar para acabar, porque as crianças estão adoecendo em casa.

“Eu apoio o retorno às aulas, sei muito bem da dificuldade que nós estamos enfrentando, entendo a preocupação dos outros vereadores, mas na periferia tem muitas crianças que adquiriram transtorno de ansiedade e desenvolveram obesidade; então, infelizmente, ficar em casa tem ocasionado outras doenças nas nossas crianças”, afirmou.

Márcia Taschetti reafirmou sua preocupação com a falta de distanciamento dos alunos, mas disse que a escola fechada traz um prejuízo muito grande. Ela argumentou que os professores estão vacinados, a Secretaria de Educação adquiriu pedestais de álcool para os alunos e haverá revezamento para evitar a aglomeração.