18.9 C
Guarulhos
seg, 29 nov 2021
- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -

Coluna aberta: Os lutos da maternidade

- PUBLICIDADE -

Assuntos como esse não são presentes em rodas de conversas, ou palestras. Afinal o que é dito é que nasce uma mãe feliz e realizada quando nasce o bebê.

Na realidade, o que de fato acontece e não é mencionado é que quando nasce um bebê, aquela mulher “morre” simbolicamente, para que dê espaço a um novo papel perante a sociedade, o papel de MÃE.

Mas como assim morre? Gravidez não é vida? O nascimento de um bebê não deveria transbordar de vida aquela mulher? Não. Não deveria. Afinal onde está decretado isso?

Quando o bebê nasce, existe uma sensação em comum na maioria das mulheres de não saber o que fazer a partir do momento que tem nos braços seu filho. Mesmo que durante sua gestação, tenha lido diversos livros ou acompanhado influenciadoras digitais relacionadas à maternidade, isso não a prepara para SER e exercer o papel materno, o criado em sua mente e o esperado socialmente.

Sentir essa insegurança é comum, afinal você já pensou sobre todos os lutos que passa a partir do momento que inicia sua caminhada na maternidade, desde a gestação? Irei listar alguns:

Luto daquela mulher que foi, do que vestia, da mensagem que passava, da liberdade que se tinha sobre ir e vir sem muito horário a cumprir, do tempo que não tem mais para você ou para seus amigos, da escolha sobre o que beber ou comer caso esteja amamentando, discrição sobre seu corpo, poder escolher sobre o que fazer consigo mesma sem se preocupar com alguém que é dependente de você (emocionalmente/financeiramente), seus medos não são mais voltados a você e sim voltados ao seu filho, em algumas situações deixa de ser “você’ e passa a ser vista como “a mãe”, ou seja, luto pela identidade, sem falar sobre alguns sonhos, que por sinal deixaram de ser seus e passaram a ser relacionados a ele. Entre outros.

Ao decorrer da maternidade, vão existindo lutos consequentes de fases do seu filho, como por exemplo, não querer mais o colo, não buscar com tanta frequência seu abraço, não chorar quando se separam, causando por vezes nessa mulher uma sensação de menos necessária.

Necessário compreender que essa mulher exerce um papel parental de impacto também no desenvolvimento mental desse indivíduo em construção, e se não se entregar de maneira honesta a si mesma sobre o que sente, se doará de maneira insatisfatória a sua prole.

Importante que essa mulher/mãe encontre espaço de segurança sem julgamentos, para falar o que sente e muitas vezes falar que dói exercer a maternidade, é uma entrega exaustiva, porém pintada como se fosse algo orgânico e simples. É uma ideia já trazida historicamente em nossa cultura com base religiosa, inúmeras mulheres não compreendem e não aceitam sentir algo diferente do que é “exigido” dentro do maternar.

Por mais esse motivo, o número de mulheres que querem ser mães ou ter filhos, diminui bruscamente. Além de aumento no número de casos de mães com adoecimento psíquico.

Compreender as fragilidades desse papel, é respeitar a vida e o ser humano diante de suas subjetividades.

Daniele Barros é Mãe | Psicóloga Clínica | Graduada em Gestão de Pessoas | Pós graduada em Marketing pela Business School São Paulo | Psicologia Analítica Junguiana pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa | Formação em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online | Sempre em busca de constante aprimorame nto em Saúde Mental

VEJA TAMBÉM

BOLETIM COVID GUARULHOS

REDES SOCIAIS

28,959FãsCurtir
10,600SeguidoresSeguir
5,128SeguidoresSeguir
2,770InscritosInscrever
- PUBLICIDADE -

ÚLTIMAS NOTÍCIAS