HPV: entenda o tratamento, os sintomas e a prevenção da doença

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Apesar de nomenclaturas semelhantes, as enfermidades são diferentes e merecem atenção especial

Os Papilomavírus Humano (HPV) são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, que se enquadram em dois grupos, baixo risco e alto risco.

Os HPVs de baixo risco geralmente não causam doenças. No entanto, alguns tipos de HPV de baixo risco podem causar verrugas nos órgãos genitais, ânus, boca ou garganta. Já os de alto risco – existem cerca de 14 variedades – podem ocasionar vários tipos de câncer. Dois deles, HPV16 e HPV18, são responsáveis​​ pela maioria dos cânceres relacionados ao HPV.

“O HPV é transmitido através da relação sexual, seja ela uma relação vaginal, anal ou oral. Esse é um tipo de infecção que pode ser silenciosa, ou progredir de forma lenta, tendo os sintomas descobertos apenas quando já está em um estágio mais avançado do que gostaríamos, por isso a importância dos exames de acompanhamento com o médico”, afirma o ginecologista.

O câncer do corpo do útero pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas é mais comum em mulheres que já se encontram na menopausa e pode se iniciar em diferentes partes do órgão. O tipo mais comum se origina no endométrio (revestimento interno do útero) e é chamado de câncer de endométrio. O sarcoma uterino é uma forma menos comum de câncer uterino que se origina na musculatura e no tecido de sustentação do órgão.

Sintomas

Na maioria dos casos, o HPV desaparece por si próprio e não causa problemas de saúde. Mas quando o vírus não desaparece, pode causar problemas como verrugas genitais e até mesmo o câncer cervical e outras lesões, incluindo as de vulva, vagina, pênis ou ânus. Também pode causar câncer no fundo da garganta, incluindo a base da língua e as amígdalas (chamadas de câncer de orofaringe). Não há como saber quais pessoas com HPV desenvolverão câncer ou outros problemas de saúde, por isso a importância de rastrear com exames médicos a população.

“Qualquer pessoa sexualmente ativa pode contrair o HPV, mesmo que tenha feito sexo com apenas uma pessoa. HPV não está necessariamente associado com promiscuidade e nem com traição. Sem contar que o paciente também pode desenvolver sintomas anos depois do contágio. Isso dificulta saber quando o paciente foi infectado. Por isso, é importante sempre fazer uma avaliação semestral ou anual com o ginecologista ou urologista, no caso dos homens, de sua confiança.”, ressalta Dr. Valentino.

No caso de câncer do corpo do útero, o sinal mais comum é o sangramento vaginal fora do período menstrual. Sangramento vaginal anormal inclui: sangramento entre os ciclos menstruais, sangramento vaginal mais intenso que o habitual, qualquer sangramento vaginal em mulher que já se encontra na menopausa, dor pélvica, cansaço, perda de peso e apetite.

Prevenção

Para o câncer do colo do útero, Dr. Valentino reforça que o uso de preservativos ajuda, mas não garante proteção total contra o HPV, uma vez que o vírus permanece na pele e está presente em toda a região genital.

“O ideal é que os homens e mulheres usem a camisinha em todas as relações sexuais e também façam seus exames preventivos. E para completar o tripé de prevenção ainda temos a vacinação contra doenças e cânceres relacionados ao HPV”, afirma o especialista.

Quem deve tomar a vacina contra HPV:

A vacina é distribuída gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Pessoas que vivem com HIV e pacientes transplantados na faixa etária de 9 a 26 anos também tem a vacinação gratuita no posto de saúde.

Estimativas apontam que a probabilidade de infecção em algum momento da vida é de 91,3% para homens e 84,6% para mulheres. Mais de 80% das pessoas de ambos os sexos contraem o vírus antes dos 45 anos. Por isso, adultos que ainda não foram vacinados podem decidir receber a vacina contra o HPV após conversar com seu médico.

No câncer do corpo do útero alguns fatores são considerados de proteção para o câncer endometrial, como engravidar, prática de atividade física e manter o peso corporal saudável.

Diagnósticos

No caso do HPV é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo de lesão, se clínica ou subclínica.

  • Lesões clínicas: podem ser diagnosticadas, por meio do exame clínico urológico (pênis), ginecológico (vulva/vagina/colo uterino) e dermatológico (pele).
  • Lesões subclínicas: podem ser diagnosticadas por exames laboratoriais, como: o exame preventivo Papanicolaou (citopatologia), colposcopia, peniscopia e anuscopia, e também por meio de biopsias e histopatologia para distinguir as lesões benignas das malignas. Em alguns casos, também podemos utilizar a testagem genética do HPV.

Já para o câncer do corpo do útero a detecção pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de contrair a doença.

“Exames que permitem visualizar o útero e seu interior são utilizados para o diagnóstico. Os exames e procedimentos que auxiliam são, por exemplo, a história clínica da paciente e exame físico, ultrassonografia transvaginal, histeroscopia (visualização do interior do útero por meio de uma câmera introduzida pela vagina) e biópsia do endométrio (é retirada uma pequena amostra da camada interna do útero e envia para análise microscópica)”, ressalta Dr. Valentino Magno.

Tratamentos disponíveis para as doenças

Para o HPV, não há tratamento. No entanto, existem recursos terapêuticos para os problemas de saúde causados por ele:

  • Lesões pré-cancerígenas no colo do útero podem ser tratadas. As mulheres que fazem exames de rotina e acompanhamento conforme necessário podem identificar problemas antes que o câncer se desenvolva. A prevenção é sempre melhor que o tratamento.
  • Outros cânceres relacionados ao HPV também são mais tratáveis ​​quando diagnosticados e tratados precocemente.

Para os casos de câncer do corpo do útero, existem diferentes tipos de tratamento disponíveis para pacientes com câncer de endométrio, mas a maioria das mulheres são submetidas à cirurgia histerectomia para remover útero, ovários e trompas.

“Em alguns casos é necessário que a paciente faça uso de terapias combinadas, como radioterapia (utiliza radiação em altas doses) ou quimioterapia (utiliza medicamentos para impedir o crescimento e matar as células cancerosas). Mas os casos são avaliados um a um e diretamente pelo médico de confiança da paciente”, afirma o ginecologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.