Dia do Advogado: mulheres dominam, mas são minoria em cargos de chefia

Foto: Divulgação

Historicamente dominada pelos homens, a advocacia é uma das áreas em que a diversidade de gênero cresce exponencialmente. Segundo dados da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB), as mulheres representam 49,79% do quadro total dos profissionais do país. Nas faixas etárias de até 25 anos e entre 25 e 40 anos elas  são maioria. Porém, essa proporção não se mantém nos cargos de liderança.

Um levantamento em escritórios de advocacia da Women in Law Mentoring Brasil demonstrou que as mulheres representam 57% dos profissionais, porém são apenas 34,9% dos sócios de capital.

O aumento da presença feminina na advocacia começou no fim do século XX, segundo estudo da pesquisadora Patricia Bertolini. Na OAB de São Paulo, por exemplo, em 1930 existiam apenas três advogadas registradas, contra 376 advogados. Já nos anos 60 eram 1.289 mulheres, contra mais de 6 mil homens. Só em 1980 a proporção de advogadas em relação aos homens começa a crescer com 16.679 advogadas registradas, contra 25.708 advogados. Em 2010, o número de mulheres inscritas passa a ser superior ao de homens: 27.826, contra 25.903.

Se levados em conta apenas o número de profissionais até 40 anos em todo o Brasil, as mulheres já são maioria e compõem 56% do número de advogados inscritos na OAB, segundo levantamento do Jota. Essa tendência também é observada nos cursos de graduação de Direito, nos quais sete em cada dez alunos são mulheres, de acordo com o último Censo da Educação Superior desenvolvido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O único ponto no qual o predomínio feminino não é percebido é nos cargos de liderança. Segundo pesquisa do Women in Law Mentoring Brasil, realizado em 55 escritórios de advocacia com mais de 3.000 profissionais, as mulheres são 57% dos integrantes, porém são apenas 34,9% dos sócios de capital.

As organizações e escritórios de advocacia só tem a ganhar com o avanço das mulheres na advocacia. A pesquisa Women in Business and Management, realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), demonstra, por exemplo, que empresas com iniciativas de diversidade de gênero relatam estar mais abertas à criatividade e à inovação (54,4%) e têm mais lucro e produtividade (60,2%). O estudo foi realizado em 70 países com 12.940 empresas e também evidencia que o número de mulheres ocupando cargos de gerência e diretoria tem aumentado historicamente.

Mais mulheres, mais lucratividade

Dados da pesquisa Women in Business and Management realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT):

• 57,4% das empresas concordam que as iniciativas de diversidade de gênero melhoram os resultados dos negócios.

• 60,2% relataram aumento de lucros e produtividade.

• 56,8% relataram um aumento da capacidade de atrair e reter talentos.

• 54,1% relataram reputação aprimorada da empresa.

• 54,4% relataram maior criatividade, inovação e abertura.

• 36,5% relataram uma melhor capacidade de medir o interesse e a demanda dos consumidores

• A maioria das empresas relata um aumento de lucro de 10 a 15%.