Butantan atribui à Anvisa demora para liberação de estudos com soro anti-Covid

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Agência autorizou os testes no final de março, mas condicionou seu início ao envio de documentos complementares

Em reunião com os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse esperar receber liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para iniciar estudos clínicos com soro contra Covid-19.

O encontro aconteceu nesta quarta-feira (19) em ambiente virtual. Segundo Dimas Covas, o envio de documentos consiste em um processo complexo que depende da geração de novos dados que já estão sendo gerados.

Covas tem uma reunião com com os técnicos da Anvisa nesta quinta-feira (20) e espera a finalização do processo. Para o diretor do instituto, as exigências podem ter sido motivadas pelo fato de ser a primeira vez que a Anvisa se pronuncia sobre os soros.

Os primeiros a participarem dos testes clínicos, assim que liberados, serão pacientes transplantados do Hospital do Rim (Hrim). No entanto, o objetivo é expandir os ensaios para outros grupos rapidamente.

O tratamento pode ser importante principalmente no cuidado de pacientes com comorbidades, já que a tendência é que os anticorpos presentes no soro sejam capazes de neutralizar o vírus rapidamente, evitando a progressão para as formas mais graves da doença.

Aprovação

No final de abril, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o projeto que deu origem à Lei 17.365/2021, para autorizar o governo do Estado a comprar vacinas e utilizar o soro anti-Covid, desenvolvido pelo instituto.

Vacinas

A fábrica do Instituto Butantan que está sendo construída para abrigar a produção de vacinas totalmente brasileiras deve entrar em operação no final deste ano. Neste laboratório mais amplo e mais moderno deverá ser produzida a vacina brasileira da Covid-19.

“A ButanVac já nasce como sendo a segunda geração, uma vacina aperfeiçoada em relação a primeira geração de todas as vacinas do mundo, a segunda geração da CoronaVac já envolve essa cepa, essa variante brasileira P1, como também a possibilidade de ser mais imunogênica”, afirmou Covas.

Plasma

O plasma convalescente, parte extraída do sangue de quem já teve o vírus, é outro meio que está sendo pesquisado pelo instituto. Dimas Covas ressaltou que há um esforço no sentido de disponibilizar esse plasma para tratamentos.

“Temos feito acordos de cooperação com alguns municípios e geralmente quando nós temos capacidade de atendimento, mandamos o plasma diretamente”.