Indígenas marcham pelo centro de Brasília e reivindicam manutenção de direitos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcha das Mulheres Indígenas reuniu-se com o movimento Luta pela Vida em ato contra o governo Bolsonaro e o Marco Temporal

Um grupo de mulheres indígenas realizam um ato na região central de Brasília, nesta sexta-feira (10), pela manutenção de seus direitos constitucionais e contra o governo Bolsonaro. A manifestação reúne participantes da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas. De acordo com os organizadores, cerca de 5 mil mulheres de mais de 172 etnias indígenas estão acampadas próximo à Fundação Nacional de Artes (Funarte).

O grupo deixou o acampamento por volta das 09h e seguiu em caminhada pelo Eixo Monumental até a avenida W3 Sul, de onde foi para a Praça do Compromisso. Na praça, o grupo homenageou a memória do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, morto, no local, por cinco jovens de classe média que, em 1997, atearam fogo em seu corpo.

Durante o passeata, um boneco alusivo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi queimado em ato simbólico.

A marcha pela região central de Brasília estava prevista para ontem (09), mas, por segurança, os coordenadores decidiram adiá-la. Ainda por segurança, os indígenas optaram por caminhar até a Praça do Compromisso, e não mais até a Praça dos Três Poderes.

“As forças de segurança do Distrito Federal recomendaram que, por precaução, as mulheres ficassem aqui mesmo, no acampamento. Decidimos não fazer a marcha até a Praça dos Três Poderes por entender que ainda há muita gente armada na cidade”, disse ontem Danielle Guajajara à imprensa.

Luta Pela Vida

Desde a última terça-feira (07), os participantes da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas se somam aos remanescentes do movimento Luta Pela Vida, acampamento indígena que, nas últimas semanas, chegou a reunir 6 mil pessoas na capital federal para acompanhar o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do futuro das demarcações das terras indígenas.

O movimento indígena reivindica pressa na demarcação de novas reservas, com a conclusão dos processos de reconhecimento em fase avançada. A revindicação principal cobra que os ministros do STF rejeitem o chamado Marco Temporal.

Pela tese do Marco Temporal só teriam direito às terras pertencentes a seus ancestrais as comunidades que as ocupavam ou já as disputavam na Justiça em 05 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

Os índios também se opõem às propostas de liberar a mineração em seus territórios e flexibilizar as normas de licenciamento ambiental em todo o país e ainda cobram ações públicas contra a violência contra as mulheres indígenas e a favor da saúde dos povos tradicionais.

*Com informações da Agência Brasil