Senadores definem os próximos passos da CPI da Pandemia e respondem a Bolsonaro

Foto: Edilson Rodrigues - Agência Senado/Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil/Pedro França/Agência Senado/Edição Guarulhos Online

Prorrogada por mais 90 dias, a Comissão criará núcleos para investigação de temas; na segunda (19), Bolsonaro fez acusações e xingamentos contra Omar Aziz e Randolfe Rodrigues

O presidente e o vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), respectivamente, estão organizando as ações do colegiado que serão retomadas em agosto, logo após o fim do recesso parlamentar constitucional.

Além da criação de núcleos para o tratamento de temas, como o que vai tratar das empresas que intermedeiam a aquisição de vacinas, os senadores pretendem se debruçar sobre os impactos das notícias falsas (fake news) no agravamento da epidemia de coronavírus. 

As informações foram transmitidas por Aziz e Randolfe por meio das redes sociais, no fim de semana. O presidente da comissão informou que o planejamento prosseguiria ao longo da segunda-feira (19).

Já Randolfe adiantou que a CPI também vai se dedicar em agosto a investigações sobre os negócios e interesses envolvendo a empresa de logística VTCLog. Os parlamentares suspeitam de contratos firmados entre ela, o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos. 

O vice-presidente detalhou ainda que está prevista para acontecer entre os dias 26 e 29 de julho uma reunião virtual entre integrantes da CPI e juristas, a fim de embasar o relatório final da comissão. O responsável pela emissão do parecer definitivo é o senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

“A CPI está no caminho certo. Estamos descobrindo quem estava e está por trás de uma gestão completamente ineficaz no Ministério da Saúde em relação, especialmente, à pandemia, que já nos custou mais de meio milhão de vidas do povo brasileiro. Não vamos parar”, publicou Randolfe.

Prorrogação da CPI

Durante as votações em Plenário na quarta-feira (14), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu o requerimento de prorrogação da CPI da Pandemia. O autor do requerimento é o vice-presidente da comissão parlamentar de inquérito, o senador Randolfe Rodrigues.

Com a leitura, a Comissão Parlamentar de Inquérito foi oficialmente prorrogada por mais 90 dias. A CPI da Pandemia foi instalada em 27 de abril com prazo de três meses de funcionamento. Com a prorrogação, a CPI poderá trabalhar até o começo de novembro.

Omar e Randolfe respondem Bolsonaro

Nessa segunda-feira (19), o então presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez declarações sobre a atuação dos senadores e os trabalhos da comissão. Em conversa com seus apoiadores e nas redes sociais, Bolsonaro publicou xingamentos e afirmou que integrantes da CPI tentam acusar o governo porque não tiveram sucesso eme negociações para comprar vacinas “a qualquer preço”.

No Twitter, o presidente publicou um vídeo em que Randolfe fez publicamente um apelo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a liberação do uso emergencial de vacinas como a indiana Covaxin.

Também pelas redes sociais, Randolfe respondeu de maneira enérgica às falas do presidente. Ele disse que sim, trabalhou para fazer o que o governo deveria ter feito: garantir a todos os brasileiros o acesso às vacinas.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM) respondeu os xingamentos feitos pelo presidente em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada . Bolsonaro chamou o presidente da CPI de “anta amazônica”. Para Omar, Bolsonaro deveria usar seu tempo para se solidarizar com as vítimas da pandemia.

“Recebi esse vídeo do presidente naquele famoso cercadinho, que cada vez fica menor, cada vez ele fala para menos pessoas e cada vez mais expele o ódio. Presidente, toda vez que o senhor chegar ao cercadinho, se solidarize com as vítimas da covid-19, com as famílias que estão perdendo pessoas queridas”, disse Aziz, em vídeo publicado nas redes sociais.

*Com informações da Agência Senado