Proguaru não tem caixa para quitar verbas rescisórias se for fechada, aponta diretor financeiro

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De acordo com Ricardo Bortoleto, o conselho não aprovou a extinção da Proguaru, apenas o estudo que foi encomendado à FIPE

A Comissão de Estudos Especiais (CEE) da Câmara de Vereadores de Guarulhos realizada nesta terça-feira (15) recebeu o Diretor Administrativo/Financeiro da Proguaru, Ricardo Bortoleto na 07º reunião semanal do grupo de parlamentares que analisa o possível fim da empresa.

Segundo apresentou Bortoleto, as dívidas da Proguaru superam os fundos da empresa. São R$ 276 milhões em dívidas e R$ 160 milhões do patrimônio líquido em saldo negativo. Apesar disso, a autarquia possui R$ 33 milhões em ativos registrados incluindo imóveis, veículos e equipamentos.

Entretanto, a empresa paga anualmente com escritórios de advocacia R$ 600 mil e mantém 240 cargos comissionados com salários acima dos previstos em concurso. Questionado pelo Presidente da CEE, vereador Edmilson Souza (PSOL), o diretor afirmou que a proposta de fechamento da Proguaru se deve a má gestão.

Atualmente, a empresa possui 4.843 funcionários que, segundo Bortoleto, não são suficiente para atender cem por cento da demanda de serviços solicitados. Porém, se o fechamento for confirmado, a Proguaru não possui os R$ 70 milhões previstos em caixa para quitar as rescisões.

Os recursos teriam que partir do tesouro municipal, mas a maior parte das dívidas da empresa é tributária. Por outro lado, seu maior devedor é a própria contratante, a Prefeitura de Guarulhos, responsável pela administração do capital da empresa.

À espera do Carone

A CEE foi criada para analisar a viabilidade da manutenção da Proguaru que teve seu fim decretado até o término de 2021, por meio de lei aprovada no fim de 2020. O próximo convidado da Comissão, é o atual presidente da empresa, Francisco Carone, mas ele ainda não confirmou presença.

Mesmo coma nomeação do interventor Ibrahim Faouzi El Kadi, pela Prefeitura de Guarulhos, Carone ainda desempenha funções no conselho e diretoria da empresa, segundo relatou Ricardo Bortoleto à CEE.

O diretor financeiro afirmou ainda que, a cerca de 1.100 funcionários da Proguaru foram afastados durante a pandemia, mas o trabalho neste período aumentou. Indagado sobre a existência de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) o diretor negou.

Entretanto, o PDV foi divulgado no site oficial da Proguaru e chegou a ser mencionado pelo Prefeito Guti (PSD) em um vídeo vazado na semana passada de dentro do Paço Municipal. Nas redes sociais, a Comissão de Trabalhadores denuncia avisos sobre o plano que foram colocados nas paredes da empresa e enviados por email.

A Comissão Especial de Estudos deve ser prorrogada, ou seja, o período de trabalho será estendido até que o relatório final seja entregue. Na mesma ocasião, o vereador Geleia Protetor (PSDB) foi escolhido para substituir a vereadora Carol Ribeiro do mesmo partido, a tucana está afastada por razões de saúde.

*Atualizada às 17h05 de 15/06