Butantan anuncia redução de 95% em mortes por Covid-19 na cidade de Serrana

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Resultados do Projeto S mostram que imunização fez casos da doença despencarem 80% incluindo não vacinados

O Instituto Butantan anunciou nesta segunda-feira (31) os dados preliminares sobre a efetividade da vacinação com a Coronavac realizada na população da cidade de Serrana. De acordo com a instituição, as mortes caíram 95%, as internações foram reduzidas em 86% e os casos sintomáticos em 80%.

O estudo foi realizado entre fevereiro e abril com 27.160 pessoas imunizadas com as duas doses da vacina, o que corresponde a 95% da população adulta. O município do interior paulista foi escolhido por pesquisadores para um estudo sobre os efeitos da vacinação em massa na população adulta.

Os resultados também mostraram que a vacinação protege tanto os adultos que receberam as duas doses do imunizante quanto as crianças e adolescentes com menos de 18 anos, que não foram vacinados.

“A redução de casos em pessoas que não receberam a vacina indica a queda da circulação do vírus. Isso reforça a vacinação como uma medida de saúde pública, e não somente individual”, explicou o diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan, Ricardo Palacios, também diretor do estudo.

Outra conclusão importante é a avaliação da incidência da doença em Serrana na comparação com as cidades vizinhas. Serrana tem cerca de 10 mil moradores que trabalham em Ribeirão Preto diariamente. Porém, enquanto Ribeirão Preto e cidades da região vêm apresentando alta nos casos de Covid-19, Serrana manteve taxas de incidência baixas graças à vacinação.

Ou seja, além da queda das infecções, os moradores que transitam em outras cidades não trouxeram um incremento relevante nos casos. O Projeto S criou um “cinturão imunológico” em Serrana, uma barreira coletiva contra o vírus, reduzindo drasticamente a transmissão no município, segundo os estudos.

“As importantes conclusões do estudo poderão embasar as estratégias de imunização no Brasil e no mundo, e oferecem uma esperança do controle da pandemia com vacinas como a CoronaVac”, afirmou o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

A pesquisa, pioneira no mundo, foi desenvolvida pelo Butantan, aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e avaliada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Foi realizada em parceria com a Secretaria de Saúde e a Prefeitura Municipal de Serrana.

O objetivo do projeto é entender qual a efetividade da CoronaVac, ou seja, como a imunização de toda uma população pode afetar o curso da epidemia. Na prática, entender como a vacina se comporta no mundo real.

A apresentação completa dos resultados preliminares pode ser acessada aqui.

Método da pesquisa

O método utilizado para o ensaio clínico é chamado de implementação escalonada por conglomerados (stepped-wedge trial). Serrana foi dividida em 25 áreas, formando quatro grupos: verde, amarelo, cinza e azul – que receberam o imunizante seguindo esta ordem.

A vacina foi ofertada a todos os maiores de 18 anos elegíveis para o estudo nestas áreas, de forma sequencial, em quatro etapas. Entre 17 de fevereiro e abril deste ano, ao longo de oito semanas, cerca de 27 mil moradores do município receberam o esquema vacinal completo: duas doses da CoronaVac com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda.

Isso representou uma cobertura próxima a 95% da população adulta, segundo censo de saúde feito previamente pelo Butantan. Ricardo Palacios explica que o método de escalonamento permitiu avaliar e comparar as quatro áreas vacinadas. “Percebemos que os fenômenos observados não acontecem aleatoriamente, mas se repetem nos quatro grupos em momentos diferentes”, afirmou.

“O resultado mais importante foi entender que podemos controlar a pandemia mesmo sem vacinar toda a população. Quando atingida a cobertura de 70% a 75%, a queda na incidência foi percebida até no grupo que ainda não tinha completado o esquema vacinal.”

De acordo com Dimas Covas, “a vacina é segura, eficaz, eficiente, de altíssima qualidade, e contribui para prevenir o desenvolvimento da doença, complicações e óbitos entre os infectados”. “Agora também sabemos que ela provoca efeito benéfico em uma população inteira, protegendo tanto os vacinados quanto os não vacinados e reduzindo a circulação viral de forma expressiva”, concluiu.

Intervalos de confiança dos índices de redução

Casos sintomáticos

– Queda de 80% (IC95 76,9% – 82,7%) 

Internações

– Queda de 86% (IC95 74,1% – 92,3%)

Mortes

– Queda de 95% (IC95 62,7% – 99,3%)