Câmara cobra Prefeitura sobre kit intubação nos hospitais de Guarulhos

Foto: Rogerio Santana

Janete Pietá (PT), autora do requerimento, aponta gravidade no Hospital dos Pimentas; no Estado, organizações alertam para falta de medicamentos como anestésicos e neurobloquedores

Em sessão da Câmara Municipal de Guarulhos, na quarta-feira (14), a vereadora Janete Pietá (PT) solicitou, através do requerimento n°1084/2021, informações sobre os estoques de kits de intubação da cidade. Ela argumentou que “a situação do Hospital dos Pimentas e da saúde em geral está gravíssima”.

“Vocês imaginam o que é fazer uma intubação sem os remédios, sem um kit necessário para poder sedar uma pessoa? Isso é humano?”, questionou a vereadora.

Nesta sexta-feira (16), o Ministério da Saúde começou a distribuir os 2,3 milhões de medicamentos do chamado “kit intubação” aos Estados. A aquisição dos insumos foi realizada por empresas que importaram os produtos da China e os doaram ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma consulta realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com 2.938 cidades revelou que em 33,2% (975 munícipios) há risco de sistemas de saúde ficarem sem os remédios do kit intubação. Esses medicamentos são usados para suporte ventilatório de pacientes com Covid-19, como anestésicos e neurobloquedores.

Na terça-feira (13), a Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp) fez um alerta sobre o desabastecimento de anestésicos e medicamentos do kit intubação e também considerou o cenário “gravíssimo”.

Os cerca de 160 hospitais que responderam ao levantamento realizado pela Feshop apontaram que os estoques de anestésicos, sedativos e relaxantes musculares tem, em média, de 3 a 5 dias de duração e que os antibióticos também começaram a ficar escassos.

Responsáveis 

O governo do Estado de São Paulo tem criticado a atuação do Governo Federal na distribuição dos insumos. No Twitter, o governador João Doria (PSDB) publicou os 9 ofícios encaminhados ao Ministério da Saúde, desde o dia 03 de março, cobrando os medicamentos. Segundo Doria, nenhum pedido recebeu resposta.

Além disso, o governo de São Paulo vem afirmando que o Governo Federal tem impedido a compra dos insumos por Estados e munícipios, pois existe uma requisição da produção nacional para a União. Na coletiva desta sexta-feira (16), o vice-governador Rodrigo Garcia novamente levantou esse ponto.

“Ele [Ministério da Saúde] então, portanto, impede os Estados, municípios e rede privada de comprar. A partir daí, ele assume a responsabilidade de fazer a distribuição. […] Não fosse a requisição, nos teríamos condições de adquirir diretamente os produtos de intubação e distribuir pras redes que estão, porventura, necessitando”, ressaltou Garcia.

Em entrevista nessa sexta-feira (15), o ministro da Saúde Marcelo Queiroga falou sobre a doação das empresas e disse que a ação vai reforçar a assistência ao SUS. Além disso, deu resposta às cobranças do Estado de São Paulo quanto a responsabilidade pelo abastecimento dos medicamentos.

“A obrigação de adquirir esses medicamentos é de estados e municípios. Todavia, estamos em uma emergência pública internacional e nós temos que tomar as providências necessárias para assegurar o abastecimento em todo o país, principalmente em municípios menores que não têm condições de compra”, disse Queiroga.

Marcelo também alfinetou Doria quanto aos ofícios:

“Os medicamentos doados pela Vale foram encaminhados de maneira tempestiva para atender ao governo de São Paulo e demais governos. Atribuição que os próprios governadores, especialmente os dos grandes Estados poderiam buscar esses medicamentos seja no mercado internacional, seja no nacional. Eles têm elementos para fazer isso e também se associar ao Ministério da Saúde nessa tarefa de apoiar a sociedade brasileira. Não adianta ficar só enviando ofício”, afirmou o ministro.

*Com informações da Agência Brasil