Estado de SP depende de entregas do Governo Federal para antecipar vacinação

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Possíveis atrasos podem influenciar no calendário de vacinação anunciado por Doria; secretário-executivo da Saúde explica como projeção é feita

O secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Ribeiro Adriano, explicou nessa terça-feira (15), em reunião online da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que o adiantamento da vacinação é baseado na disponibilização dos imunizantes por parte do governo federal.

Segundo Adriano, o Ministério da Saúde disponibiliza no seu portal oficial na internet quais serão as entregas de imunizantes até o final do ano.

“Nós, conhecedores de qual é a perspectiva de encaminhamento de doses pelo ministério mês a mês, sabemos qual é o percentual que cabe ao Estado de São Paulo no total geral. Com essas informações, nós temos condições de projetar um calendário de vacinação”, afirmou.

De acordo com o secretário, baseado no último calendário de vacinação divulgado no domingo (13), até 15 de dezembro toda a população com mais de 18 anos estará imunizada com as duas doses. No entanto, possíveis atrasos nas entregas de vacinas podem influenciar o cumprimento do cronograma anunciado pelo governador João Doria (PSDB).

Além disso, Eduardo Adriano também falou que, após a suspensão da vacinação das gestantes com a vacina Oxford/AstraZeneca, da Fiocruz, o número de imunização desse grupo diminuiu.

“Nós encaminhamos 90 mil doses no Estado para esse público de gestantes com comorbidades. Vinte dias depois deste encaminhamento, os números indicaram que não mais que 30 mil gestantes tinham sido vacinadas”, ressaltou.

O secretário acredita que o medo de efeitos colaterais tenha sido a principal causa dessa baixa. “Isso é absolutamente compreensível e exige de nós um esforço adicional de convencimento. As vacinas são seguras”, declarou.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), foram encontrados anticorpos para Covid-19 no leite materno de mulheres vacinadas com a Coronavac, até quatro meses após a vacinação, o que é considerado uma boa notícia, pois a mãe está protegida, assim como o bebê.

Doses em estoque

O Estado de São Paulo já recebeu, desde o início do ano, cerca de 25,7 milhões de doses e repassou 22,2 milhões aos municípios. Essas 3,5 milhões de doses de diferença ainda não foram repassadas às cidades, ou ainda não houve registro do repasse em sistema.

Em entrevista ao G1, a coordenadora do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, explicou que, além do atraso no registro dos repasses em sistema, há 1,4 milhão de vacinas que estão marcadas pelo Ministério da Saúde para serem aplicadas como segunda dose, e que por isso ainda não foram distribuídas aos municípios.

A antecipação do cronograma de vacinação vai contemplar, até o final de junho, um público muito maior que a quantidade de doses em estoque.

A imunização de pessoas sem comorbidades entre 50 e 59 anos, que começa nesta quarta-feira (16) no Estado, mas que já iniciou desde segunda-feira (14) em Guarulhos, deve contar com um público de 3 milhões de pessoas.

Em seguida, a vacinação deve começar para pessoas sem comorbidades entre 43 e 49 anos a partir de 23 de junho. Já para pessoas deste grupo entre 40 e 42 anos, a imunização começa dia 30 de junho. Juntos, os grupos somam 4,45 milhões de pessoas.

Desta forma, o cumprimento do calendário depende das entregas previstas pelo Ministério da Saúde. Apesar da diferença entre as doses recebidas pelo Estado e entregues aos municípios, Regiane de Paula negou que haja represamento de doses pelo governo estadual.

Descontadas as vacinas reservadas à segunda dose e as doses separadas para os grupos prioritários que começaram a vacinação nesta semana, ainda há cerca de 1 milhão de doses em estoque, segundo a coordenadora. Este total é considerado uma margem de segurança, um “estoque zero”, como afirmou Regiane.

“Conforme eu recebo vacina eu repasso em 48h pros meus grupos de vigilância epidemiológica. Então eu dependo do quantitativo de vacinas que chegam, e há semanas que chegam mais vacinas e semanas que chegam menos vacinas, e isso é um movimento como se fosse movimento de caixa”, explicou.

Remanejamento

Na reunião, a deputada Janaína Paschoal (PSL) questionou se há a possibilidade de utilizar as vacinas, reservadas para a segunda dose de pessoas que não foram recebê-las, na imunização de outros grupos.

Adriano afirmou que a vacina é um direito a ser respeitado, então é necessário que ela esteja disponível mesmo para essas pessoas.

“É uma pena que hajam faltosos da segunda dose, nós não desistiremos desses faltosos, porém hoje quem não toma a segunda dose, não toma pelo seu livre arbítrio de não tomar, ela está lá e ele não foi impedido por uma política pública de toma-la”, afirmou.

Ele reforçou também que não existem evidências que comprovem que apenas uma dose das vacinas disponíveis no Brasil seja suficiente para uma proteção completa.

*Com informações do G1