OS que administra Pimentas rebate sindicato dos médicos e diz que está contratando profissionais para UTI

Foto: Divulgação/PMG

Sindicato dos Médicos de SP aponta que Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso não tem remédios básicos

O Sindicato dos Médicos de São Paulo (SIMESP) divulgou nesta segunda-feira (22) uma nota à imprensa em que revela a situação considerada ‘gravíssima’ no Hospital Municipal Pimentas Bonsucesso (HMPB).

De acordo com a publicação, a unidade opera sem medicamentos básicos e ficará sem 90% dos médicos preceptores a partir de março. Conforme alega o sindicato, a falta de insumos culminou na morte de pelo menos cinco pacientes só nas últimas semanas.

Em razão do sucateamento do serviço e das súplicas por melhorias não serem atendidas, 90% dos médicos pediram demissão e os pacientes ficarão desassistidos a partir de março. A nota destaca como inviável, a atuação dos médicos residentes no local.

A entidade alega que desde a troca de gestão do hospital, que passou a ser administrado pela organização social (OS) Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT) em janeiro de 2020, o serviço passa por inúmeros problemas que se agravaram nos últimos meses.

De acordo com denúncias recebidas pelo SIMESP, o hospital sobrevive há meses com empréstimos de medicações ou com estoques esgotados com total ciência da diretoria, que nada faz para solucionar o problema.

“Pacientes já faleceram por falta de sedativos, bloqueadores neuromusculares, drogas vasoativas, trombolíticos, antiarrítmicos, antibióticos e anticoagulantes. Os médicos estão presenciando a morte de pacientes em extrema agonia sem poderem usar sedativos. Isso é um total absurdo e vai contra a ética médica”, conta Augusto Ribeiro, diretor do Simesp.

Entre os problemas enfrentados no Pimentas está a falta de tomógrafo e aparelho de radiografia fazendo com que pacientes sejam removidos para outras unidades para a realização do exame, adiando assim, seu tratamento. O hospital se tornou referência de serviço de portas abertas para atendimentos de psiquiatria, mas não possui médico psiquiatra de plantão.

“O atendimento contraria os direitos humanos, pois os pacientes ficam presos em um espaço pequeno, sem janelas, sem separação entre gêneros e sem banheiros aguardando por dias por uma avaliação com o especialista”, explica Ribeiro.

O Guarulhos Online questionou a administração municipal sobre a situação apontada pelo SIMESP no hospital. Por meio de nota a prefeitura respondeu:

“A Secretaria de Saúde não foi informada oficialmente sobre as denúncias da nota do Sindicato. Também desconhece que o Sindicato tenha formalizado as denúncias em algum órgão competente. A Secretaria trabalha para garantir o melhor atendimento possível no Hospital, não permitindo que a população fique desassistida. Existe um contrato em vigor com o IDGT, que neste momento responde pela operação daquela unidade hospitalar.”

OS que administra o HMPB

Nesta terça-feira (23) o Organização Social (OS) Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social (IDGT) divulgou uma nota em que diz estar enfrentando dificuldades para a aquisição de alguns medicamentos, como a maioria dos hospitais, tendo em vista a alta demanda provocada pela Covid-19.

A publicação aponta que a procura fez os preços subirem, mas apesar das dificuldades, a diretoria tem trabalhado com todos os meios e o hospital vem sendo abastecido regularmente. A OS diz que a afirmação feita pelo Simesp de que a morte de cinco pacientes nas últimas semanas está ligada a falta de medicamentos é genérica e não corresponde a verdade.

Quanto aos médicos preceptores, nenhum paciente ficará desassistido pela falta de médicos preceptores. Os que atuam na UTI já foram contratados e os da Clínica Médica estão em fase final de contratação, o que acontecerá antes de março.

A instituição esclarece que não há falta de monitores de sinais vitais ou cateteres de diálise no HMPB. E ainda, que o hospital trabalha com oito leitos de psiquiatria em um setor de observação clínica destinado aos pacientes psiquiátricos que chegam no HMPB.

“O local segue as normas estabelecidas para um setor de psiquiatria e, em nenhum momento, qualquer direito humano foi violado. A afirmação de que pacientes permanecem “por dias” neste local aguardando a avaliação de um especialista também não corresponde a verdade. As avaliações são feitas diariamente.

Quando o IDGT assumiu o hospital, o tomógrafo e o raio x estavam parados há quatro meses. O instituto realizou a manutenção, troca de peças e os aparelhos voltaram a funcionar. Desde o início da pandemia, o tomógrafo já fez mais de 570 mil cortes (imagens), o que causou, há cerca de três semanas, a necessidade de substituir a ampola.

Normalmente, esta troca pode levar até 90 dias para acontecer, mas o aparelho deve voltar a ser usado sexta-feira, dia 26. Neste período, todos os pacientes que precisaram de tomografia foram atendidos. O raio x está funcionando regularmente.” finaliza a IDGT.

*Atualizado às 15h14 de 23/02