Testes PCR estocados em Guarulhos, confirmam subnotificação diante de possível segunda onda da Covid-19

Foto: Michel Wakin/Guarulhos Online

O aumento de casos do novo coronavírus está se consolidando a cada semana em todo país e se acendeu o sinal de alerta dos gestores públicos e toda a população. Especialistas e autoridades já cogitam possibilidade de aumentar as medidas de isolamento social.

No estado de São Paulo, a taxa de ocupação de leitos de UTI cresceu neste mês, passando de 39,5% em 5 de novembro para 47,4% no último dia 22. Na Grande São Paulo, esse percentual chegou a 55,2% e oscila e torno de 50% durante as últimas semanas.

De acordo com o Consórcio de Veículos de Imprensa, a média móvel aumentou 45% na última semana se comparado com duas semanas atrás. O governador de São Paulo João Dória (PSDB) prorrogou a quarentena no estado até 16 de dezembro.

Segundo a secretaria estadual de saúde, medidas mais restritivas poderão ser adotadas caso os registros do coronavírus aumentem no estado. Entretanto, o governo está cauteloso em e se justifica diante dos problemas técnicos no sistema de dados do Ministério da Saúde.

Em Guarulhos

Em Guarulhos, o prefeito Gustavo Henric Costa (PSD) afirmou durante debate ao Grupo Bandeirantes, no último sábado (21) que a cidade tem números ainda ‘confortáveis’. Nas palavras dele, caso haja segundo onda de casos no município a prefeitura já tem um plano.

Guti afirmou que 20 leitos serão instalados de forma emergencial no Hospital Municipal de Urgências (HMU) e outros 16 novamente alugados em hospitais privados da cidade. Focado na campanha de reeleição, o prefeito não apontou se prevê fechamento do comércio mais uma vez.

O retrato atual mostra ruas cada vez mais cheias, pessoas abandonando o uso da máscara e de maneira generalizada se descuidando das medidas de proteção. Mas desde o começo da pandemia, os números não param de subir, já são 31.544 casos e 1.579 mortes por causa da Covid-19.

Apesar da taxa de cura estar em 93%, a cidade ainda tem uma testagem ineficiente, pois só organizou mutirões por meio de testes rápidos que apresentam diagnóstico inconclusivo. Da-se a entender que os índices por aqui estão controlados, mas a subnotificação por falta de acesso a testagem não pode ser descartada.

Enquanto isso, um lote de quase 7 milhões de testes PCR avaliado em R$ 290 milhões pode ir parar no lixo por conta da data de validade. Apesar de pertencer ao Ministério da Saúde, os testes estão estocados em um galpão do governo federal em Guarulhos.

Segundo reportagem publicada pelo Estadão divulgada neste fim de semana, a distribuição dos testes virou jogo de empurra entre as esferas. Somente hoje (23) uma comissão de deputados criada para acompanhar informações sobre o coronavírus cobrou providências a respeito do caso.