Vice-governador diz que medidas de restrição em SP equivalem ao lockdown da Europa

Vice-Governador Rodrigo Garcia em coletiva no Palácio dos Bandeirantes - Foto: Divulgação/Governo de SP

Em coletiva realizada nesta sexta-feira (19), governo analisou os impactos da fase emergencial e comparou medidas de restrição com lockdown

O vice-governador Rodrigo Garcia anunciou que a vacinação de idosos entre 69 e 71 anos foi antecipada para o dia 27 de março. Anteriormente, a previsão era vacinar somente idosos acima de 70 anos a partir do dia 29 – com a antecipação, a faixa etária de 69 anos foi incluída. A vacinação de idosos entre 72 e 74 anos começou hoje (19).

Regiane de Paulo, coordenadora de controle de doenças, afirmou que, com a inclusão da faixa etária de 69 anos, 910 mil idosos serão vacinados. Com essa medida, a previsão é de que mais de 5 milhões de pessoas serão vacinadas no Estado de São Paulo. Ela ressaltou ainda a importância do pré-cadastro para vacinação.

O Estado de São Paulo entregou hoje mais 2 milhões de doses da vacina do Butantan para o Ministério da Saúde. Com essa remessa, 24,6 milhões de doses foram entregues – o que representa, segundo Garcia, 90% da vacinação feita no Brasil até hoje. Neste momento, mais de 4,4 milhões de doses das vacinas foram aplicadas no Estado.

O Governo suspendeu também a operação descida na Anchieta-Imigrantes. O objetivo é desestimular o fluxo de veículos às praias durante a fase emergencial. A regulamentação do funcionamento do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) neste período está publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Estado.

Garcia apontou ainda que houve queda no sistema de transporte metropolitano na ordem de 62% durante a fase emergencial. O numero de usuários do Metrô, da SPTM e da EMTU na região metropolitana de São Paulo caiu de mais de 10 milhões para menos de 4 milhões de pessoas. Ele afirmou que 100% da frota de trens está operando normalmente.

Dados alarmantes

O secretário de Saúde Jean Gorinchteyn comentou que o Estado possui 1.300 leitos implantados para acolher a população. Ele afirma que, neste mês de março, São Paulo totaliza 16 hospitais de campanha.

Gorinchteyn disse ainda que há previsão de que até o próximo domingo (21), 200 respiradores emergenciais sejam distribuídos para os munícipios que necessitam, mas não especificou quais. Mais cedo admitiu que o número de mortes diárias por covid-19 pode chegar a 800 no estado.

“Essa projeção é possível, uma vez que por mais que nós estejamos aumentando o número de leitos, assistência a vida, se não houver o apoio das pessoas no sentido de evitar a sua circulação, e essa fase emergencial visa exatamente diminuir a mobilidade das pessoas, é óbvio que junto com as pessoas que circulam, circulam com elas os vírus. E dessa forma mais pessoas doente que acabam indo de forma grave para as unidades de saúde. Importante lembrar que é uma doença grave, 40% dessas pessoas infelizmente morrem nas unidades de terapia intensiva”, disse.

Dados do governo do Estado mostram que até ontem (18), São Paulo registrava 2.261.360 casos, com 66.178 óbitos. A taxa de ocupação de leitos de UTI era de 90,6%, já a dos leitos de enfermaria era de 79,3%. O índice de isolamento no estado nessa quarta-feira (17) e na quinta-feira (18) ficou abaixo de 50% – com taxa de 43% e 44%, respectivamente.

Lockdown

Questionado sobre a não adoção do lockdown no Estado, Garcia afirmou que as medidas de restrição adotadas pelo governo equivalem ao lockdown feito em países como Reino Unido e Alemanha. José Medina, membro do Centro de Contingência, complementou que o lockdown implicaria forte efeito na produção de materiais hospitalares e de consumo individual.