O grupo entrou no local há quase duas semanas e já estima ter 5 mil famílias construindo moradias no terreno
*Com colaboração de Wendel Dourado
Um terreno vazio com mais de 200 mil metros quadrados localizado entre os bairros São João, Soberana e Lavras abriga uma ocupação há 13 dias em Guarulhos. Os barracos começaram a ser erguidos na madrugada do dia 22 de outubro.
Nesse período, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que coordena a ocupação estima quase cinco mil famílias já manifestaram interesse no local. Ao todo são 11 grupos com aproximadamente 350 barracos de tabuas e lonas sendo construídos.
São famílias inteiras, casais, mães solo com crianças pequenas que entram e saem a todo momento com tabuas e ferramentas para instalar as construções. Nesta quinta-feira (04) a reportagem do Guarulhos Online esteve no terreno que fica no alto de um morro, possui declives e várias árvores e já tem barracos em quase toda extensão.
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Mas de acordo com Zezito Alves, militante do MTST há 25 anos, as árvores são preservadas no meio da construção. O senhor de 50 anos mostrou que os barracos são demarcações simbólicas, o objetivo do movimento é reivindicar moradias populares por meio de programa habitacional.
No local, os ocupantes recebem doações de alimentos e roupas e água da vizinhança, alguns tem dormido no local e compartilham de espaços coletivos. Um centro social, um banheiro e uma cozinha de onde são servidos café da manhã, almoço e jantar feitos pelas mãos de Eline Silva, membro do MTST desde 2015.

A cozinheira contou que há quatro meses vive em uma moradia conquistada após oito anos do ingresso no movimento e depois de 20 anos no aluguel. Hoje ela vive em um apartamento popular na Zona Leste de São Paulo com dois filhos que criou sozinha.
Segundo Moyses Ribeiro, coordenador do MTST Guarulhos, as ocupações denunciam o descaso com a falta de projetos de moradias. O foco é integrar moradores de favelas, em situação de rua, em aluguel ou que moram de favor em casa de parentes.


Conforme o Plano Local de Habitação de Interesse Social de Guarulhos, elaborado em 2011, o déficit habitacional na cidade era de 139.989 moradias. A meta até 2025 é eliminar o déficit com novas unidades habitacionais ou melhoria das condições de infraestrutura urbana e posse da terra.
A reportagem apurou existem ao menos sete ocupações em Guarulhos que se dividem entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Unidos por Moradia. Os dois movimentos, no entanto não tem um número exato de quantas pessoas vivem nesses locais.
O GO não conseguiu contato com os proprietários desta área até a publicação, o espaço segue aberto para atualização.


