Raio-X do Transporte Público: Linhas superlotadas fazem parte da rotina de quem depende dos ônibus

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Foto: Marcela Vasconcelos (Guarulhos Online)

O quarto dia da reportagem especial Raio-X do Transporte Público de Guarulhos começou antes das 8h da manhã desta quinta-feira (05). Partimos do bairro Soberana à espera do micro 493 (Soberana-Taboão), que não passou pelo ponto no horário previsto. No entanto, 13 minutos mais tarde, ele veio lotado.

As pessoas se apertavam numa disputa de espaço para se equilibrar entre a passagem de um buraco e outro. A regra está estampada no vidro: “Não é permitido desembarque pela porta dianteira”, mas passar pela catraca e sair pela porta traseira nem sempre é possível.

Essa é apenas uma das linhas alimentadoras que saem dos bairros Acácio, Primaveras, Recreio São Jorge, Santa Lídia etc. para o terminal Taboão. Juntas, transportam diariamente centenas de passageiros. Mas, depois da chegada da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em  Guarulhos, a lotação duplicou. A percepção dos passageiros é que a frota não dá conta de tanta gente, sobretudo nos horários de pico.

Foto: Marcela Vasconcelos (Guarulhos Online)

Quem anda de ônibus reclama do despreparo dos profissionais à frente dos veículos, presenciamos na linha 330 (Taboão-Cidade Satélite de Cumbica) uma mulher que pediu informação ao condutor mas, ele não soube informá-la sobre onde descer, ela disse à reportagem GO que era seu segundo dia num trabalho novo e ainda não estava acostumada com a região. “As ruas são muito iguais”, disse ela.

Depois de enfrentar o tráfego intenso de muitos caminhões no viaduto de Cumbica fomos para outra região da cidade ao embarcar no carro 1502 da linha 361 (Taboão-Vila Galvão via Jd. São Paulo) notamos um elevador incomum de outros coletivos, ele não foi acionado portanto não sabemos se estava em pleno funcionamento, faltava também a lixeira do coletivo.

Foto: Marcela Vasconcelos (Guarulhos Online)
Foto: Marcela Vasconcelos (Guarulhos Online)

Assim como na linha 251 (Vila Galvão-Centro via Cabuçu) o carro 1243 estava completamente suja e a campainha de solicitar parada não acendia a luz causando dúvida sobre o acionamento entre os passageiros. Em todas as 4 viagens que fizemos notamos que as respectivas linhas operam com carros de fabricação anterior a 2010.

Os ônibus da operação atual contam com dispositivo GPS que monitora as viagens, além de câmeras de segurança mas, ao contrário dos ônibus da capital paulista, não possuem dispositivo que bloqueia a saída do carro com as portas abertas e ocasionalmente podem gerar acidentes.

Reclame daqui-dali 

Por outro lado, os motoristas com quem conversamos (e pediram anonimato) disseram que não gostam da falta de educação dos passageiros. De acordo com os profissionais, os usuários não respeitam o trabalho deles, além de estarem sempre estressados e descontentes.

A reportagem observou ainda na manhã desta terça-feira, às 9h10, um carro da linha 731 (Terminal Pimentas/Praça da Saudade) quebrado no Terminal Cecap. Entre uma viagem e outra, testemunhamos, também, o veículo de manutenção das empresas de ônibus no Terminal Cecap, Rodoviária e no Terminal Vila Galvão.

O desgaste de viagens longas, as más condições de pavimentação aliadas à ausência de limpeza e manutenção recorrentes, tornam a frota ainda mais degradada e precária. Na segunda-feira (04), por volta das 17h, um veículo novo que circulava na linha 433 (São João-Vila Galvão) ficou impossibilitado de embarcar passageiros entre o Taboão e o ponto final.

O motivo: o sistema de ar que é responsável pela abertura e fechamento das portas sofreu um problema técnico na porta dianteira, permitindo que o ar “vazasse” e por isso somente o desembarque foi possível no trajeto.